ESTREITO DE ORMUZ

Irã afirma que EUA violam acordo ao tentar criar rota marítima alternativa

Chanceler Abbas Araghchi disse que memorando atribui a Teerã a coordenação da navegação durante 60 dias de negociações com Washington

Por Sputnik Brasil Publicado em 28/06/2026 às 18:22
Legenda não informada no material original. © Amirhosein Khorgooi

O governo do Irã acusou os Estados Unidos de descumprirem o Artigo 5 do memorando de entendimento sobre o estreito de Ormuz ao tentar estabelecer um corredor marítimo alternativo sem coordenação com Teerã, informou a Al Jazeera neste domingo (28).

Durante visita a Bagdá, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o Artigo 5 do acordo define que, ao longo dos 60 dias de negociações entre Teerã e Washington para um entendimento definitivo, cabe exclusivamente ao Irã adotar as medidas necessárias para assegurar a livre navegação no estreito.

Segundo o chanceler, isso significa que nenhuma embarcação pode atravessar a passagem sem coordenação com as autoridades iranianas.

De acordo com a Al Jazeera, autoridades iranianas afirmam que Washington tem tentado criar uma rota alternativa de navegação. Para Teerã, a iniciativa representa violação dos termos do memorando.

Araghchi também disse que Irã e Omã negociam um modelo de administração conjunta da região para ser adotado após o fim das negociações. Até lá, conforme o governo iraniano, o Artigo 5 garante ao Irã a responsabilidade exclusiva pelo controle e pela coordenação da navegação na área.

"Qualquer interferência nesta questão ou qualquer tentativa de impor um regime separado [para a navegação] complicará ainda mais a situação, atrasará a reabertura do estreito de Ormuz e aumentará as tensões", declarou Abbas Araghchi durante coletiva de imprensa ao lado de seu homólogo iraquiano, Fuad Hussein.

Anteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, denunciou nas redes sociais um suposto ataque com drones realizado pelo Irã contra embarcações no estreito de Ormuz, que teria danificado um navio mercante. O presidente classificou o incidente como uma "violação insensata" do cessar-fogo bilateral.

Por Sputinik Brasil