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Jaques Wagner admitiu relação com sócio de Vorcaro e criticou PF a Lula, diz mídia

Por Sputnik Brasil Publicado em 27/06/2026 às 00:03
© Foto / Lula Marques / Agência Brasil

Afastado da liderança do PT no Senado por ser alvo de investigações da Polícia Federal, o senador Jaques Wagner (PT) reclamou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) da atuação da Polícia Federal (PF), segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo desta sexta-feira (26).

O parlamentar, que é pré-candidato para reeleição ao Senado, foi acusado pela PF de receber vantagens indevidas para favorecer o agora extinto Banco Master, cujo dono, Daniel Vorcaro, está preso por uma série de crimes financeiros.

Após buscas e apreensões em residências e locais ligados ao senador, agentes da PF apreenderam quase R$ 500 mil em espécie. Em entrevista ao jornal, ele admitiu ter relação com o sócio do Master, Augusto Lima, mas negou qualquer favorecimento ilegal.

"O presidente várias vezes me perguntou, e eu continuo afirmando para ele: não tem nenhuma relação comercial entre mim e Augusto Lima, muito menos com o Master. Conheci Augusto Lima no processo de privatização [do Cesta do Povo]. Criou-se uma relação. Sei que muita gente tem consultorias espalhadas pelo país. Eu poderia ter uma consultoria, não poderia? Não tenho. A Polícia Federal está construindo uma tese de que essa empresa da minha nora na verdade foi construída para me servir. Não tenho nada a ver com a empresa".

O senador chamou de "patacoada" a atuação da PF e citou a divulgação da imagem de US$ 49 mil (R$ 253 mil) em espécie no quarto de hotel em que ele se hospeda na capital federal, Brasília.

"Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava-Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta".

Ao negar que o desdobramento da investigação sobre ele possa prejudicar a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição e justifiou: "Quem está sendo atacado? Eu, não o Lula" e garantiu que Lula o telefonou para prestar solidariedade.

A defesa de Wagner recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para anular a decisão que autorizou a busca e apreensão contra o parlamentar na semana passada, “apontando erros graves que comprometem a medida”.

Os investigadores afirmam que há registros de voos gratuitos de aeronaves de Augusto Lima e do Banco Master, compra de um apartamento, pagamentos à empresa vinculada a sua nora e de ingressos de shows caros no exterior.

Em troca, sugere o inquérito, o senador buscou aprovar propostas no Congresso sobre crédito consignado e limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), bem como a compra do Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB).

As denúncias envolvendo Wagner vieram poucas semanas depois de vazamentos de mensagens entre o senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula, e Vorcaro.


Por Sputinik Brasil