JUSTIÇA

PGR rejeita proposta de delação de ex-presidente do BRB

Por Sputnik Brasil Publicado em 25/06/2026 às 21:15
© Foto / Joédson Alves / Agência Brasil

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, rejeitou a proposta de acordo de colaboração premiada apresentada pela defesa de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB).

Na manifestação, encaminhada nesta quinta-feira (25) ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), avaliou-se que a colaboração premiada não trouxe elementos úteis às investigações, fosse para descoberta de provas, fosse para recuperação de valores obtidos.

"Os tópicos eleitos pelo proponente […] já permitem a conclusão sobre a ausência de ineditismo, na sua parte mais expressiva", escreveu o PGR.

Paulo Henrique Costa e o advogado Daniel Monteiro foram presos após a autorização da quarta fase da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal (PF) apontou que o ex-presidente do BRB negociou com o ex-banqueiro do Banco Master, Daniel Vorcaro, propina em imóveis em troca de atuar na compra do Master pelo banco de Brasília. Monteiro o ajudaria com os assuntos jurídicos da compra.

O caso faz parte de um rombo que já soma R$ 12,2 bilhões e pode configurar uma das maiores fraudes bancárias da história do Brasil. A Polícia Federal (PF) já prendeu executivos do Master, incluindo o presidente, Daniel Vorcaro.

Costa teria recebido também mais de R$ 74 milhões de Vorcaro e, segundo a PF, e colocado o BRB "a serviço da manutenção da liquidez do Banco Master" e atuado como "verdadeiro mandatário de Daniel Vorcaro no âmbito" do banco público.

Segundo Mendonça, a prisão preventiva do ex-presidente do BRB foi para garantir a ordem econômica, a conveniência da instrução criminal e a futura lei penal, citando indícios de continuidade de práticas delitivas.

O Ministério Público Federal (MPF) está apurando uma transação de R$ 303 milhões entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), envolvendo uma empresa registrada no nome de uma atendente de lanchonete. Segundo o MPF, há "indícios graves de fraude" e suspeita de que a operação tenha ocorrido sem qualquer auditoria adequada.

Apurações foram iniciadas em 2024, após pedido do MPF para investigar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por instituições financeiras. Os referidos títulos teriam sido vendidos a outro banco e, "após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada", disse a PF.