Muita gente do agronegócio nunca se preocupou que tivéssemos fábrica de fertilizante, diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva argumentou nesta quinta-feira, 25, que parte do setor de agronegócio no Brasil refutou a ideia de ter uma fábrica de fertilizantes em território nacional. Ele participa agora da cerimônia que marca a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), empreendimento da Petrobras.
"Muita gente do agronegócio nunca se preocupou que tivéssemos fábrica de fertilizante", declarou Lula. Ele também ponderou que o Brasil está pagando "preços absurdos" de fertilizantes, tendo em vista o contexto de guerra entre Rússia e Ucrânia. Outro argumento do Presidente foi em relação ao impacto desses insumos na inflação de alimentos.
"Brasileiro que vai comprar comida paga o preço da guerra por irresponsabilidade de muita gente", afirmou. Segundo o governo, o empreendimento da Petrobras seria estratégico porque, além de promover a produção nacional de fertilizantes, deve fortalecer a segurança alimentar e reduzir a dependência externa do país, de acordo com as proposições.
Aposta na produção de fertilizante no País
Lula disse que o Brasil produzirá pelo menos 70% do fertilizante usado por agricultores no País. Essa estimativa foi feita durante cerimônia de anúncio da retomada de obras de fábrica de fertilizantes em Três Lagoas (MS).
"Ainda sonho que a gente vai ter, se não 100%, acima de 70% de todo o fertilizante de que precisamos no País. Um País jamais será soberano se não for dono das coisas principais que ele produz", afirmou.
Lula associou o assunto com o tema de defesa da soberania brasileira, que se tornou um dos predominantes nos discursos do presidente desde o tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos no ano passado.
"Pode ficar certo: esse País vai construir sua soberania sendo independente de importação de fertilizante dos outros países. Apenas esperem", declarou.
O presidente também usou seu discurso em Três Lagoas para falar sobre inteligência artificial e uso de redes sociais. Fez a fala que rotineiramente faz: de ressalvas quanto aos avanços da IA e de valorização do que chama de "inteligência humana". Chamou a IA de "monstro" e fez uma previsão quase fatalista, fazendo referência a filmes de ficção científica em que máquinas se tornam tão avançadas que dominam os seres humanos.
"A inteligência artificial é um monstro que vai fugir do conhecimento do ser humano e vai se autorregular. Preparem-se, você já cansou de ver filme de ficção. Não está longe o dia em que a inteligência artificial não vai precisar mais do ser humano. E aí é o ser humano perdendo o controle daquilo que criou. Eu prefiro lidar com a inteligência humana. A gente não pode virar algoritmo", disse.