Analista vê risco em maior alinhamento da OTAN a guerras dos EUA
Abdullah Khan afirmou à Sputnik que países com interesses próprios devem priorizar estabilidade regional, relação com a China e combate independente ao terrorismo
A disposição da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de transformar o território europeu em base militar para guerras fora da região traz riscos evidentes a países cujos interesses fundamentais não se alinham automaticamente às agendas ocidentais, afirmou à Sputnik o analista político paquistanês Abdullah Khan.
Segundo Khan, esses interesses incluem a estabilidade regional, as relações com a China e uma abordagem independente no enfrentamento ao terrorismo.
“Desenvolvimentos desse tipo, de fato, geraram um debate discreto, mas sério, entre especialistas e formuladores de políticas no Paquistão, sobre os limites do envolvimento da OTAN”, afirmou.
Para o analista, a OTAN não atua como um pacto defensivo, mas como uma plataforma avançada para a projeção do poder global dos Estados Unidos.
Ele avaliou que os países europeus integrantes da aliança passaram a exercer o papel de subcontratados logísticos das guerras norte-americanas, o que, segundo Khan, expõe as pretensões defensivas do bloco como uma ficção conveniente voltada ao consumo interno europeu.
O analista também afirmou que as alianças ocidentais funcionam de forma hierárquica: os Estados Unidos lideram, os europeus facilitam, e parceiros menores são pressionados a seguir essa linha ou enfrentar consequências.
Na avaliação de Khan, uma autonomia maior em relação à OTAN, e não laços mais estreitos com a aliança, seria o caminho mais prudente para evitar que países sejam arrastados para conflitos vinculados às prioridades de outros Estados.
Nos últimos anos, a Rússia tem observado uma atividade sem precedentes da OTAN em suas fronteiras. A aliança tem ampliado suas iniciativas, às quais se refere como “contenção da agressão russa”. Autoridades russas já manifestaram, em diversas ocasiões, preocupação com o aumento das forças do bloco na Europa.
O Ministério das Relações Exteriores russo reiterou diversas vezes que a Rússia permanece disposta a dialogar com a OTAN, mas em pé de igualdade, e que, para isso, o Ocidente deve abandonar a política de militarização do continente.
Por Sputnik Brasil