FINANCIAMENTO EXTERNO

Brasil formaliza na China etapa para emitir títulos soberanos em yuan

Carta de Apresentação da República foi protocolada junto a reguladores chineses como primeiro passo para os Panda Bonds

Por Estadao Conteudo Publicado em 25/06/2026 às 12:40
Ministro da Fazenda, Dario Durigan Reprodução

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, protocolou nesta quinta-feira, 25, na China, o primeiro passo formal para a emissão de títulos soberanos brasileiros em yuan, conhecidos como Panda Bonds.

Segundo nota da Pasta, Durigan apresentou aos organismos reguladores do mercado de capitais chinês uma Carta de Apresentação da República. O documento descreve a economia brasileira e aponta as diretrizes da operação e do uso dos recursos que poderão ser captados, conforme informou a Fazenda.

“Não há países melhores do que o Brasil e a China para mostrar que podem coliderar a economia mundial trabalhando juntos, construindo vidas melhores para os seus cidadãos. Portanto, é por isso que estou aqui hoje anunciando que estamos prontos para emitir os Panda Bonds - e pretendemos fazer isso nos próximos meses, à medida que damos os próximos passos junto ao Banco Popular da China”, afirmou.

De acordo com a Fazenda, a alternativa está alinhada à estratégia de fortalecimento dos canais de cooperação financeira internacional e de aprofundamento da integração do país aos mercados globais de capitais.

O Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026 prevê a possibilidade de emissões em moedas além do dólar.

“Tal objetivo já foi parcialmente cumprido com a operação realizada em abril no mercado europeu, mas segue em evolução com os passos que estão sendo tomados para a emissão inaugural no mercado chinês”, informou a Pasta.

A discussão ganhou força após o governo avaliar como bem-sucedida a emissão em euros anunciada em abril, a primeira nesse mercado em cerca de dez anos.

Na operação, o Brasil captou €5 bilhões em três tipos de papéis. O Tesouro destacou alta demanda, alto volume e spreads baixos, avaliando o resultado como sinal de confiança dos investidores na dívida soberana brasileira e como retorno do país ao mercado europeu.