Tarifas dos EUA podem paralisar 55% das usinas de ferro gusa no Brasil
Estimativa do Sindifer considera proposta de cobrança que pode chegar a 37,5% sobre o produto brasileiro
Cerca de 55% das usinas brasileiras de ferro gusa podem paralisar as atividades caso entrem em vigor as novas tarifas propostas pelos Estados Unidos contra o Brasil. A estimativa é do Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer), entidade filiada à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
A proposta do governo norte-americano prevê uma tarifa de 25%, acrescida de uma segunda taxa de 12,5%, o que pode elevar a cobrança total a 37,5%. As medidas serão debatidas em audiências públicas marcadas para 6 de julho, com decisões previstas para o dia 15 do mesmo mês.
O Sindifer-MG informou que participará da audiência nos Estados Unidos para acompanhar o andamento do processo e atuar na defesa do setor.
Minas Gerais lidera a produção nacional de ferro gusa, com 48 usinas e 63 fornos. A capacidade instalada no estado é de cerca de 420 mil toneladas por mês, o equivalente a aproximadamente 70% da produção nacional. Sete Lagoas, na região central de Minas, concentra 21 unidades do setor.
O ferro gusa é a principal matéria-prima utilizada na produção de aço e ferro fundido, com aplicação em toda a cadeia produtiva da metalurgia. Segundo o sindicato, o Brasil está entre os maiores exportadores do produto, e os Estados Unidos são o principal importador.
Em 2025, a produção nacional de ferro gusa somou cerca de 5,4 milhões de toneladas. Aproximadamente três quartos desse volume foram destinados à exportação, sendo mais de 80% para os Estados Unidos. Somente em Sete Lagoas, mais de 1 milhão de toneladas foram exportadas no ano passado.
Entre janeiro e maio de 2026, a produção nacional chegou a cerca de 1,6 milhão de toneladas. Desse total, 80% foram exportados para os Estados Unidos. Em Minas Gerais, o setor gera mais de 60 mil empregos diretos e indiretos.
Para tentar reduzir os impactos do tarifaço, o Sindifer contratou um escritório de advocacia nos Estados Unidos com o objetivo de buscar a reversão do processo e negociar exceções para o ferro gusa brasileiro.
De acordo com a entidade, os impactos esperados incluem paralisação de usinas, redução de empregos, queda no PIB e perda de competitividade do Brasil no mercado internacional.