ECONOMIA

FMI vê risco de pressão inflacionária em Portugal com fundos da UE e alta da energia

Relatório aponta que entrada de recursos europeus em 2026 pode exigir aperto fiscal e recomenda apoio direcionado a famílias de baixa renda

Por Estadao Conteudo Publicado em 24/06/2026 às 22:01
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O Fundo Monetário Internacional avalia que, em 2026, a entrada significativa de fundos da União Europeia poderá agravar o impacto inflacionário provocado pela alta dos preços da energia em Portugal. Segundo o órgão, esse cenário também pode exigir um aperto da política fiscal no país.

A análise foi feita após uma avaliação das condições da economia portuguesa. O conselho executivo do FMI considerou que, embora volátil, a inflação está atualmente próxima da meta, em um contexto de desempenho econômico sólido no país europeu.

De acordo com o fundo, a atividade econômica tem sido favorecida por fortes fluxos turísticos, que contribuíram para um excedente na balança corrente, mesmo diante da fraca demanda externa.

A equipe técnica do FMI destacou ainda que o orçamento registrou superávit pelo terceiro ano consecutivo em 2025, o que reduziu a dívida pública para pouco menos de 90% do PIB. O documento divulgado nesta quarta-feira classificou o recuo como “uma redução impressionante em relação ao pico de 134% do PIB em 2020”.

Em relação às medidas adotadas para enfrentar o aumento dos preços da energia, o FMI sugere que a redução do imposto especial de consumo sobre combustíveis, implementada em resposta ao choque energético, seja substituída por apoio direcionado às famílias de baixa renda e às empresas viáveis em dificuldades nos setores de uso intensivo de energia.

Entre outras recomendações, a equipe do fundo defende incentivos para a adoção de novas medidas de poupança voltadas ao cumprimento das metas de médio prazo. O FMI cita a redução das despesas fiscais, o aumento da eficiência dos gastos e uma reforma mais ampla do sistema de pensões.

Na avaliação do Fundo Monetário Internacional, o setor bancário português demonstra resiliência diante de condições macrofinanceiras adversas severas. Ainda assim, os diretores do fundo ressaltaram a importância de preservar a estabilidade e a resistência do setor financeiro por meio do fortalecimento do arcabouço de política financeira.

Os diretores também destacaram a necessidade de vigilância sobre os riscos do mercado imobiliário e sobre a exposição soberana. Segundo o FMI, a redução dos desequilíbrios no mercado imobiliário exigirá medidas pelo lado da oferta, além da reversão de medidas de apoio à demanda consideradas mal direcionadas.