SEGURANÇA NUCLEAR

Roubos de césio-137 reacendem alerta sobre controle de material radioativo

Casos registrados em Minas Gerais e na Argentina aumentaram a preocupação após o acidente de Goiânia voltar ao debate

Por Sputnik Brasil Publicado em 24/06/2026 às 22:01
Césio-137 volta ao debate após casos de roubo de materiais radioativos © telegram SputnikBrasil

O acidente com césio-137 em Goiânia, considerado um dos maiores envolvendo material radioativo, voltou ao debate após ser retratado em uma série de sucesso. Segundo a Associação das Vítimas do Césio-137, a tragédia provocou pelo menos 107 mortes até 2012 e afetou cerca de 1,6 mil pessoas.

Nos últimos anos, novos episódios ampliaram a preocupação com a segurança desses materiais. Em 2023, equipamentos desapareceram em Minas Gerais. Mais recentemente, a Argentina emitiu alerta sobre o roubo de uma cápsula de césio-137 em uma unidade médica.

O césio-137 é utilizado em tratamentos de radioterapia, pesquisas e aplicações industriais. Protegido por cápsulas de chumbo, o material só oferece risco quando essa estrutura é violada.

O engenheiro nuclear Júlio de Oliveira afirma que o interesse nesses casos não está no material radioativo, mas nos componentes das cápsulas. “Não há um mercado paralelo de fontes radioativas para que esses materiais sejam vendidos para aplicações industriais ou médicas, por exemplo. Além disso, uma fonte de césio não serve para ser usada como uma bomba suja.”

A especialista em radioproteção Inayá Lima destaca que informação e fiscalização são medidas importantes para evitar novos acidentes, principalmente entre trabalhadores da reciclagem. “Em muitos casos, a diferença entre um incidente controlado e um acidente de maiores proporções está justamente na identificação precoce do problema.”

O físico nuclear Jesús Lubián Rios ressalta que as técnicas nucleares têm aplicações relevantes para a sociedade, especialmente em áreas como medicina, agricultura e pesquisa científica. “Mas todo esse estudo tem que ser com alta fiscalização.”