Países produtores pedem revisão de regra europeia sobre metano
Estados Unidos, Catar, Nigéria e Argélia alertam que exigências previstas para 2027 podem afetar importações de petróleo e gás da União Europeia
Os governos dos Estados Unidos, Catar, Nigéria e Argélia pediram que a União Europeia altere regras sobre emissões de metano que podem afetar as importações de petróleo e gás. Os países alertam que a regulamentação pode trazer impactos aos preços e ao abastecimento do bloco.
O pedido foi feito em carta aberta enviada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, e aos Estados-membros da UE. No documento, os representantes afirmam que grande parte do mercado que abastece o continente europeu não conseguirá cumprir, até 1º de janeiro de 2027, os requisitos de medição, comunicação e verificação de emissões de metano previstos na regulamentação.
Com base em uma “análise independente e abrangente do setor”, a carta sustenta que a maior parte das importações de petróleo e gás natural da União Europeia ficará em desacordo com o regulamento. “Mesmo com uma implementação adaptativa e flexível, impactos negativos significativos na oferta e nos preços são uma certeza”, afirma o documento.
Os países também dizem que o bloco tem pouco tempo para promover mudanças, já que importadores “já iniciaram o processo de compra de petróleo e gás natural que serão armazenados para entrega em 2027 e, até o momento, não há um caminho viável para o cumprimento do regulamento”. Os signatários afirmam ainda que seus produtores de energia já fizeram progressos “substanciais” na redução das emissões de metano.
“Incentivamos a Comissão e os Estados-Membros da UE a trabalharem com as partes interessadas do setor nos esclarecimentos e mudanças necessários que permitam a implementação eficaz da lei, reduzindo, ao mesmo tempo, os riscos insustentáveis”, conclui a carta.
O documento foi assinado pelo secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright; pelo ministro da Energia do Catar, Saad Sherida Al-Kaabi; pelo ministro de Recursos Petrolíferos da Nigéria, Ekperikpe Ekpo; e pelo ministro da Energia e Minas da Argélia, Mohamed Arkab.