Dólar avança para R$ 5,202 e tem maior fechamento desde março
Ibovespa recuou 0,44%, aos 170.506 pontos, pressionado por ações ligadas a commodities e bancos
Em um dia de instabilidade no mercado financeiro, o dólar subiu nesta quarta-feira (24) e fechou no maior valor em quase três meses. A bolsa de valores também encerrou o pregão em queda, pressionada pelo desempenho negativo de ações de petroleiras, mineradoras e bancos.
O movimento refletiu a expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos e a forte queda do petróleo, que recuou para o menor nível desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã. O cenário reduziu o apetite por ativos ligados a commodities, bens primários com cotação internacional.
Notícias relacionadas:
Dólar sobe para R$ 5,18 e atinge maior valor desde fim de março.
Mercado de trabalho formal cresce 3,6%; serviço público puxa alta.
Mercado financeiro eleva previsão da Selic para 13,75% ao ano.
O dólar comercial fechou esta quarta-feira (24) em alta de 0,28%, cotado a R$ 5,202, depois de atingir a máxima de R$ 5,22 durante a manhã. Foi o segundo pregão seguido de valorização e o maior nível de fechamento desde 30 de março.
A moeda norte-americana ganhou força com a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, Banco Central estadunidense) possa adotar uma postura mais restritiva diante de sinais de pressão inflacionária na economia dos Estados Unidos. O mercado aguarda a divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE), principal indicador de inflação acompanhado pelo banco central americano.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, operava próximo dos maiores níveis em mais de um ano, com alta acumulada de cerca de 3% no ano.
No Brasil, analistas avaliam que a diferença entre as perspectivas de juros dos Estados Unidos e do Brasil reduziu a atratividade do chamado carry trade, estratégia baseada em ganhos com a diferença entre os juros altos na economia brasileira e as taxas estadunidenses, mais baixas.
Bolsa perde força
Principal índice da B3, o Ibovespa encerrou o dia aos 170.506 pontos, com queda de 0,44%, após três sessões consecutivas de alta. O índice chegou a subir pela manhã, mas perdeu força com a pressão das ações ligadas a commodities.
O desempenho ocorreu em meio à queda dos preços do petróleo e à valorização do dólar, que pressionou metais básicos. Bancos também contribuíram para a baixa do índice. Na contramão, ações mais ligadas ao consumo interno registraram ganhos, favorecidas pelo recuo das taxas de juros futuros.
Cenário internacional
Os investidores também acompanharam sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, além da retomada gradual do fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz.
O alívio nas tensões externas reduziu o prêmio de risco sobre o petróleo e afetou empresas ligadas à energia. Ao mesmo tempo, o mercado monitora os próximos passos do Fed e os dados econômicos americanos para ajustar as expectativas sobre juros.
Petróleo recua
O petróleo caiu pelo terceiro pregão seguido e fechou no menor nível desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, com o mercado reagindo à perspectiva de aumento da oferta global.
O contrato do Brent para setembro, referência para a Petrobras, caiu 3,81% e encerrou a US$ 73,87 por barril. O barril do tipo WTI, do Texas, para agosto, recuou 3,92%, para US$ 70,34 por barril, chegando a operar abaixo de US$ 70 durante o dia.
A queda ocorreu após sinais de normalização do transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz e medidas envolvendo possíveis flexibilizações de restrições ao petróleo iraniano.
Analistas avaliam que o mercado passou a considerar menor risco de interrupção no fornecimento de petróleo, embora ainda acompanhe a evolução das negociações geopolíticas.
*Com informações da Reuters.