Representante dos EUA diz que sanções ao Irã seguem suspensas temporariamente
Teerã cobrou o cumprimento do memorando de entendimento e criticou declarações consideradas contraditórias por autoridades americanas
O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, afirmou que as sanções contra o Irã não foram encerradas e permanecem apenas suspensas temporariamente enquanto as negociações estiverem em andamento. Do lado iraniano, o tom foi de cobrança para que os Estados Unidos cumpram os termos do memorando de entendimento.
“Se eles [o Irã] não cumprirem sua parte do acordo, se não negociarem de boa fé, se não estiverem preparados para finalmente abandonar essa obsessão com o programa nuclear, as sanções serão reimpostas e todas as opções estarão sobre a mesa”, declarou Waltz nesta quarta-feira, em entrevista à Fox News.
Segundo o representante norte-americano, os recursos desbloqueados serão depositados em uma conta de garantia controlada pelos Estados Unidos. Com esse dinheiro, Teerã será obrigada a comprar excedentes de safras dos agricultores do país, como trigo, soja e outros produtos agrícolas.
Waltz afirmou ainda que a economia iraniana está “devastada”, assim como o exército do país. Ele também disse que a situação do Líbano teria melhorado. “Pela primeira vez na história, temos negociações diretas entre o governo libanês e o governo israelense, com o objetivo de finalmente desarmar o Hezbollah”, afirmou.
Em paralelo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, adotou um tom mais duro e demonstrou desconfiança em relação aos Estados Unidos. Em publicação na rede social X, Baghaei afirmou que os americanos devem seguir o que foi previsto no acordo e evitar interpretações que estejam em “total desacordo” com o texto do tratado.
“As declarações contraditórias de autoridades americanas a respeito do memorando de entendimento para pôr fim à guerra imposta não farão nada para diminuir a desconfiança acumulada dos iranianos e servirão apenas como um lembrete de quebras de confiança passadas”, escreveu o porta-voz.