LOGÍSTICA

Aeroportos regionais ganham importância estratégica para o agronegócio brasileiro

País tem a segunda maior frota aeroagrícola do mundo; MPor planeja investimentos de R$ 1,8 bilhão até 2027 para ampliar a infraestrutura regional

Por Assessoria Publicado em 24/06/2026 às 18:38
Em Petrolina (PE), Aeroporto Senador Nilo Coelho desempenha papel estratégico para escoamento da produção do Vale do São Francisco, principal polo exportador de frutas do país. Divulgação/Aeroporto de Petrolina

Em importantes polos agrícolas do país, aeroportos regionais exercem uma função que vai muito além do transporte de pessoas, eles se consolidam como pontos estratégicos para o funcionamento do agronegócio brasileiro, garantindo agilidade logística e suporte operacional para cadeias produtivas espalhadas pelo território nacional.

O papel dessas estruturas ganha ainda mais relevância durante períodos de plantio e colheita, quando qualquer interrupção operacional pode gerar prejuízos significativos. A conectividade aérea permite respostas mais rápidas a demandas emergenciais e reduz gargalos logísticos em áreas onde as distâncias são extensas e a infraestrutura terrestre nem sempre atende à velocidade exigida pelo setor.

Além disso, a atividade agrícola depende cada vez mais de operações de alta precisão, o que torna a logística aérea um importante aliado para garantir que insumos e serviços especializados cheguem rapidamente às propriedades rurais. O transporte aéreo permite, por exemplo, a movimentação de sementes de alto valor agregado, defensivos biológicos e outros produtos sensíveis ao tempo de entrega. Também facilita o deslocamento de agrônomos, engenheiros, pilotos, mecânicos e equipes técnicas que atuam em diferentes regiões produtoras ao longo do ano.

Em Petrolina (PE), por exemplo, o Aeroporto Senador Nilo Coelho desempenha papel estratégico para o escoamento da produção do Vale do São Francisco, principal polo exportador de frutas do país. Com estrutura preparada para o armazenamento refrigerado e embarque de cargas perecíveis, o terminal apoia a exportação de produtos como manga, uva e banana para mercados da Europa, Estados Unidos, África e China, demonstrando como a infraestrutura aeroportuária pode ampliar a competitividade de regiões produtoras e conectar o interior brasileiro ao comércio internacional.

O ministro Tomé Franca ressaltou a contribuição dos aeroportos para o fortalecimento das cadeias produtivas do interior. “Em muitas regiões, os aeroportos regionais são muito mais do que pontos de embarque e desembarque de passageiros. Eles apoiam a produção, aproximam empresas, facilitam o acesso a serviços especializados e ajudam a conectar o agronegócio brasileiro aos mercados nacionais e internacionais. Por isso, ampliar e modernizar essa infraestrutura é uma prioridade para o Governo do Brasil”, afirmou.

Base para a aviação agrícola

Outra contribuição relevante dos aeroportos regionais está no suporte à aviação agrícola, segmento que desempenha papel importante na produtividade do campo. As aeronaves são usadas em atividades como aplicação de defensivos, fertilizantes e produtos biológicos, semeadura aérea e combate a incêndios florestais. Também ajudam no controle de pragas e doenças e na execução de operações em grandes áreas de cultivo ou em locais de difícil acesso terrestre.

O setor está em franca expansão. Segundo dados do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), a frota aeroagrícola brasileira reúne cerca de 2,7 mil aeronaves e pode ultrapassar 3 mil aviões e helicópteros em operação até 2027, crescimento próximo de 10%. O Brasil possui hoje a segunda maior frota aeroagrícola do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Investimentos do MPor

O fortalecimento da infraestrutura aeroportuária regional é uma das prioridades do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor). Em dezembro de 2025, a pasta anunciou um plano de investimentos de R$ 1,8 bilhão para o ciclo 2026-2027, destinado à ampliação, modernização e qualificação de aeroportos em diferentes regiões do país. A iniciativa busca fortalecer a aviação regional, ampliar a conectividade aérea e atender à crescente demanda do setor, especialmente em áreas com menor oferta de transporte aéreo. Para esse novo ciclo, foram previstos 34 empreendimentos em 31 aeroportos, distribuídos por 16 estados.

Outra frente importante é o programa AmpliAR, criado para levar os benefícios das concessões federais à aviação regional. Em sua primeira rodada, no fim de 2025, a iniciativa garantiu R$ 731,6 milhões em investimentos privados para 13 aeroportos regionais, como o Aeroporto de Porto Alegre do Norte, em Mato Grosso, que tem forte vocação agropecuária. Com o novo aeroporto modernizado, produtores, empresas e empreendedores terão maior agilidade para deslocamentos, transporte de cargas, negócios e conexões estratégicas com o restante do país.