MEC associa menor taxa de analfabetismo a políticas educacionais
Pnad Educação 2025 aponta 8,4 milhões de pessoas não alfabetizadas com 15 anos ou mais no país, menor percentual desde 2016
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, confirmou nesta quarta-feira (24), em Fortaleza, que o Brasil atingiu a menor taxa de analfabetismo de sua história entre a população adulta, acima de 15 anos.
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Educação 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tinha 8,4 milhões de pessoas não alfabetizadas com 15 anos ou mais. O número corresponde a 4,9% da população brasileira, o menor percentual da série histórica iniciada em 2016.
Segundo parâmetros da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) citados pelo ministro, esse patamar indica que o analfabetismo deixou de ser um problema estrutural no Brasil.
“Nós passamos 526 anos perseguindo esse número. De acordo com a Unesco, isso quer dizer que, no Brasil, pela primeira vez na história, o analfabetismo deixou de ser um problema estrutural no Brasil. Nós estamos caminhando para a erradicação do analfabetismo”, afirmou Leonardo Barchini.
O anúncio ocorreu durante evento no Ceará, com a presença do ex-ministro da Educação e senador Camilo Santana (PT-CE), e do governador Elmano de Freitas.
Matrículas no EJA
Para o ministro, o resultado está relacionado às políticas de recomposição de matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA), promovidas desde 2023. Segundo ele, o cenário se arrastava desde 2019, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.
“Nós tivemos no ano passado 40 mil matrículas a mais do que nos anos anteriores. Isso já se mostra em resultados, já se mostra com a queda do analfabetismo”, declarou o ministro da Educação.
Queda na evasão
Leonardo Barchini também destacou três indicadores que apresentaram melhorias simultâneas inéditas:
Abandono escolar: queda de 61% no comparativo acumulado desde 2022;
Reprovação: redução de 62% em todo o território nacional, impulsionada pelo aumento da frequência e do engajamento dos estudantes;
Distorção idade-série: diminuição de 28% no volume de alunos fora da idade adequada para a série que cursam.
“Pela primeira vez, nós temos esses três dados: diminuição do abandono, diminuição da reprovação e diminuição da distorção idade-série. Mas, mais do que isso, tudo isso aconteceu sem diminuir a qualidade da educação”, disse o ministro, ao relacionar os resultados ao desempenho pedagógico.
O ministro citou ainda outras ações federais adotadas desde 2023.
“Nós expandimos as escolas em tempo integral, criamos a estratégia nacional de Escolas Conectadas para que toda escola pudesse ter internet. Nós aumentamos a complementação da União no Fundeb em mais de R$ 40 bilhões. Enfim, nós temos hoje o maior orçamento da história do Ministério da Educação, um conjunto de ações que contribuíram para que a gente chegasse nesses resultados.”
Na avaliação de Barchini, o principal fator por trás da melhora dos índices educacionais é o programa Pé-de-Meia, coordenado pelo MEC. A iniciativa oferece incentivo financeiro do governo federal a estudantes do ensino médio público.
“O Pé-de-Meia é um programa que existe com frequência escolar. Os jovens estão frequentando mais a escola, estão faltando menos, estão prestando mais atenção nas aulas.”