COMÉRCIO EXTERIOR

Ministro do MDIC critica Bolsonaros por pressão tarifária dos EUA contra o Brasil

Márcio Elias Rosa afirmou que governo brasileiro negocia para evitar a entrada em vigor de novas taxas sobre produtos brasileiros

Por Estadao Conteudo Publicado em 24/06/2026 às 18:00
Márcio Elias Rosa Reprodução / Agência Brasil

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, criticou nesta quarta-feira, 24, a família do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, parentes do ex-presidente têm responsabilidade na aplicação de tarifas do governo dos Estados Unidos contra o Brasil.

“Eu lamento dizer isso, mas, a cada visita de um Bolsonaro à Casa Branca, quem paga a conta é o povo brasileiro, e tem sido assim desde o início”, afirmou o ministro, em entrevista à CNN Brasil.

Rosa citou o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que, segundo ele, comemorou a abertura de uma investigação contra o Brasil pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, na sigla em inglês. O procedimento foi aberto em julho do ano passado com base na Seção 301.

A investigação resultou, em junho deste ano, na recomendação do USTR para que os Estados Unidos aplicassem novas tarifas contra produtos brasileiros, sob alegação de supostas práticas comerciais indevidas do País. O governo brasileiro negocia para tentar impedir que essas taxas entrem em vigor.

“Me parece que foi uma encomenda que eles tinham feito para o governo norte-americano, imaginando que, quanto maior o dano à economia brasileira, melhor é o capital político deles”, declarou o ministro.

Márcio Elias Rosa disse já ter participado de oito reuniões com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para discutir as investigações. Na reunião mais recente, realizada no último sábado, 20, ficou definido um prazo de duas semanas para a realização da próxima rodada de conversas.

De acordo com o ministro, a preocupação do governo brasileiro tem sido buscar formas de acomodação tarifária que ampliem a participação de bens e serviços americanos na economia brasileira, sem causar prejuízos ao País.

“Um dos temas que a 301 levanta é que os nossos acordos preferenciais com Índia e México causariam dano para as exportações norte-americanas. Em algumas reuniões temos discutido isso, tentando mostrar que as linhas tarifárias com o México ou a Índia não causam dano aos EUA”, disse Rosa.