MERCADO FINANCEIRO

Ibovespa recua com pressão de Petrobras, Vale e bancos

Índice fechou em queda de 0,44%, aos 170.506,66 pontos, após três pregões consecutivos de alta

Por Estadao Conteudo Publicado em 24/06/2026 às 17:52
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O Ibovespa encerrou o pregão em baixa nesta quarta-feira, 24, após três sessões consecutivas de ganhos. O índice recuou 0,44%, aos 170.506,66 pontos, pressionado principalmente pelo desempenho negativo de Petrobras, Vale e de parte dos papéis de bancos.

O movimento foi influenciado pelos sinais de normalização do fluxo no Estreito de Ormuz, que levaram o petróleo a uma queda de quase 4%. Ao mesmo tempo, a perspectiva de valorização do dólar e de juros mais altos nos Estados Unidos afetou o preço de metais básicos, com exceção do minério de ferro.

Na contramão da queda do índice, o fechamento da curva de juros favoreceu ações cíclicas e de menor capitalização, que apareceram entre os destaques positivos do dia. Os investidores devem acompanhar o Relatório de Política Monetária (RPM) e a divulgação do índice de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), em busca de novos sinais sobre os próximos passos do Copom e do Federal Reserve.

Com giro financeiro de R$ 27,05 bilhões, o Ibovespa foi pressionado por Petrobras ON (-2,68%) e PN (-2,64%), Vale (-2,08%) e bancos como Bradesco ON (-1,03%) e Santander Brasil Unit (-1,38%). Pela manhã, o índice chegou à máxima de 171.342,05 pontos, com alta de 0,05%, e marcou mínima de 169.668,34 pontos, queda de 0,55%.

Com o resultado, o Ibovespa reduziu a alta acumulada na semana para 1,29% e no ano para 5,82%. Em junho, o índice acumula recuo de 1,89%.

"Petrobras e Vale respondem por quase um quarto do Ibovespa, e grande parte das commodities mostra queda relevante hoje quarta-feira, 24", afirmou o estrategista de ações da Nomos, Max Bohm, ao comentar o desempenho do índice, mesmo com a baixa dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs) no dia.

O petróleo caiu pelo terceiro pregão seguido. O Brent para setembro fechou em baixa de 3,81%, a US$ 73,87 por barril. Já o WTI para agosto chegou a operar abaixo de US$ 70 na mínima intradia, diante de sinais de normalização do fluxo no Estreito de Ormuz e do avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã após a assinatura do memorando de entendimento.

"A queda do Ibovespa hoje quarta-feira, 24 se dá fundamentalmente pelo petróleo, com fluxos em Ormuz voltando a se normalizar. Dificilmente o petróleo volta para patamares de US$ 60 por barril do pré-guerra, pois tivemos danos diretos de infraestrutura e o prêmio de risco geopolítico ainda está resiliente, mas esse nível entre US$ 70 e US$ 75 nos parece um patamar certo, o que acaba puxando Petrobras para baixo e, consequentemente, o índice", disse o analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos.

O minério de ferro chegou a avançar 0,74% em Dalian, para US$ 109,56 por tonelada, mas Bohm avaliou que a quarta-feira foi negativa para siderúrgicas e mineradoras em nível global. "Investidores estão saindo desses setores hoje quarta-feira, 24, e Vale acaba se prejudicando também. A companhia também tem geração de caixa amparada em cobre, níquel e ouro, que recuam", afirmou.

A Vale informou neste mês, em guidance, que espera uma contribuição de 28% da subsidiária Vale Base Metals para o Ebitda consolidado da companhia em 2026. Nesta quarta-feira, cobre, níquel e ouro recuaram cerca de 3%, pressionados pela valorização global do dólar e pela expectativa de juros mais elevados nos Estados Unidos.

Entre as altas do Ibovespa, ações cíclicas lideraram o campo positivo, como C&A (+8,87%), Cyrela (+4,17%), Assaí (+4,16%) e Vivara (+3,52%). "Hoje quarta-feira, 24 os juros futuros estão fechando e os cíclicos domésticos estão performando bem, tanto que o índice de Small Caps avança. Ainda assim, a participação maior no índice vem de commodities", ponderou Bohm.

Para Arbetman, apesar do comportamento mais calmo dos DIs, a ponta longa ainda permanece com taxa acima de 14%, nível considerado elevado.

O estrategista da Nomos também destacou que o Ibovespa, negociado a um múltiplo de Preço por Lucro de 8,3 vezes, está mais descontado que a média geral de 15,9 vezes e que a média dos mercados emergentes, de 11,9 vezes. Segundo ele, a Bolsa brasileira está mais barata que as dos Estados Unidos, Europa, Coreia do Sul, México, Japão, Índia, Argentina e Colômbia.

"Nossa bolsa está barata, e o investidor tende a buscar exposição à commodities, com o Brasil sendo uma proxy disso. Essa combinação de fatores pode fazer o fluxo estrangeiro voltar, por mais que a Selic pare em um nível de 14% ao ano, mas dizer que o Ibovespa fechará a 200 mil pontos em 2026 é dependente do que acontecerá com as eleições", avaliou Bohm.

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