Dólar fecha a R$ 5,2020 e acumula alta de 3,15% em junho
Moeda americana avançou pelo segundo pregão seguido, influenciada pelo cenário externo e pela expectativa de alta de juros nos Estados Unidos
O dólar subiu pelo segundo pregão consecutivo frente ao real e encerrou a sessão na casa de R$ 5,20, no maior nível de fechamento em cerca de três meses. Sem indicadores ou eventos locais de maior peso, o mercado de câmbio doméstico acompanhou o movimento externo de valorização da moeda americana, sustentado pela expectativa de alta de juros nos Estados Unidos ainda neste ano.
Embora o real não tenha apresentado o pior desempenho entre as principais moedas emergentes nesta quarta-feira, 24, nem no acumulado de junho, analistas avaliam que o recuo do preço do petróleo, que ameaça romper o piso de US$ 70 o barril, reduz a atratividade do chamado “trade do petróleo” com a moeda brasileira e estimula a realização de lucros.
Em alta desde a abertura dos negócios, o dólar à vista chegou à máxima de R$ 5,2212 pela manhã. Ao fim da sessão desta quarta-feira, fechou com avanço de 0,28%, cotado a R$ 5,2020, pelo segundo pregão seguido no maior valor de fechamento desde 30 de março. A moeda americana acumula valorização de 3,15% frente ao real em junho, depois de alta de 1,82% no mês anterior. No ano, as perdas, que chegaram a superar dois dígitos no início de maio, quando a taxa de câmbio rondava R$ 4,90, agora estão em 5,23%.
“O real depreciou hoje, quarta-feira, em razão do fortalecimento global do dólar. Não houve questões internas relevantes. Em linhas gerais, vivemos um momento um pouco sensível para o real, com o Fed pensando em subir juros enquanto o Copom, como mostrou a ata ontem, terça-feira, ainda deixa a porta aberta para nova redução da taxa Selic”, afirmou o head da mesa de internacional e câmbio da Mirae Asset, Jonathan Joo Lee. “Essa movimentação do Fed e do Copom tem estressado o câmbio nos últimos dias, porque aponta para diminuição da atratividade do carry trade.”
Indicador do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY rondava os 101,600 pontos no fim da tarde, após atingir máxima de 101,800 pontos, nos maiores níveis em pouco mais de um ano. O Dollar Index acumula alta de 2,70% em junho, levando os ganhos no ano para cerca de 3,30%. Mais ligada aos preços do petróleo, a coroa norueguesa, apesar de ainda registrar alta de cerca de 2% no ano, caiu mais de 0,80% e soma perdas próximas de 6% em junho.
As cotações do petróleo recuaram pelo terceiro dia consecutivo, em meio ao avanço das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. Pela manhã, o presidente Donald Trump afirmou que o Irã informou não estar cobrando pedágio de embarcações que passam por Ormuz. O contrato do WTI para agosto, referência de preços para a economia americana, caiu 3,92%, a US$ 70,34 o barril, com mínima abaixo de US$ 70. Já o Brent para setembro recuou 3,81%, a US$ 73,87.
As taxas dos Treasuries também caíram, acompanhando o alívio nos preços da commodity, o que reduz temores inflacionários. Investidores aguardam a divulgação, na quinta-feira, 25, do índice de preços de gastos com consumo, o PCE, medida de inflação preferida pelo Fed, para ajustar as apostas sobre a política monetária americana.
“Os mercados já precificam praticamente três altas de juros nos Estados Unidos até o final do ano. A atenção se volta agora para o PCE. A expectativa é de um resultado acima de 4% em termos anualizados, reforçando a percepção de que a inflação americana voltou a acelerar e exigirá uma resposta mais firme da autoridade monetária”, afirmou o economista Paulo Gala, professor da FGV-SP, em relatório.
Além da perspectiva de aperto monetário nos Estados Unidos, que fortalece globalmente a moeda americana, o coordenador de alocação e inteligência da Avenue, Bruno Yamashita, avaliou que o real também é pressionado por um movimento de rotação de carteiras favorável a países emergentes ligados à Inteligência Artificial, como Coreia do Sul e Taiwan. “Além disso, a queda do petróleo é negativa para a balança comercial e a atividade econômica no Brasil. Esses fatores juntos levam a um dólar mais forte”, afirmou Yamashita.
A perda de fôlego do real em junho ocorre apesar de sinais de entrada de dólares no País. À tarde, o Banco Central informou que o fluxo cambial total em junho, até a última sexta-feira, 19, está positivo em US$ 8,196 bilhões. O resultado inclui entradas líquidas de US$ 6,697 bilhões pelo comércio exterior e de US$ 1,498 bilhão pelo canal financeiro, que reúne investimentos diretos e em carteira.