Ouro recua na Comex com avanço do dólar e apostas em juros maiores nos EUA
Prata também fechou em forte queda nesta quarta-feira, enquanto investidores acompanham sinais da política monetária norte-americana
O ouro caiu 3% e a prata recuou 6% nesta quarta-feira, 24, dando continuidade às perdas da semana. Os metais preciosos seguem pressionados pela valorização do dólar e pelo aumento das expectativas de novas altas de juros nos Estados Unidos ainda neste ano.
Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para agosto encerrou o pregão em baixa de 3,39%, cotado a US$ 4.008,8 por onça-troy.
A prata para julho também fechou em queda, com recuo de 6,42%, a US$ 58,087 por onça-troy.
Durante a sessão, o ouro chegou a ser negociado abaixo do nível-chave de US$ 4.000 por onça-troy nas mínimas. A queda foi limitada pelo forte recuo nos preços do petróleo, movimento que ajuda a aliviar pressões inflacionárias e derruba os juros dos Treasuries.
Apesar disso, o metal precioso permaneceu pressionado pela valorização do dólar americano. O índice DXY operava no maior nível em mais de um ano.
Os investidores também ampliaram as apostas em altas de juros nos Estados Unidos neste ano, após o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) adotar um tom mais duro na última reunião de política monetária. Persistem ainda temores de pressões inflacionárias ligadas à guerra com o Irã.
Para o ING, a correção do ouro, após recordes registrados no início do ano, pode parecer surpreendente diante da incerteza geopolítica e da continuidade das compras por bancos centrais. A instituição avalia, porém, que a fraqueza do metal evidencia uma mudança de foco provocada pela reprecificação das expectativas de juros.
“O mercado tem dado menos peso ao papel de porto seguro e mais às implicações de juros mais altos e condições financeiras mais apertadas”, explicam.
Os investidores aguardam ainda a divulgação do índice de gastos com consumo pessoal (PCE, em inglês) dos Estados Unidos, em busca de novos sinais sobre os rumos da política monetária.