CONCESSÕES

TCU adia análise de acordo para devolução da concessão da Concebra

Relator Jorge Oliveira apontou pendências em condicionantes fixadas pelo tribunal, incluindo desconto sobre passivos regulatórios

Por Estadao Conteudo Publicado em 24/06/2026 às 14:48
TCU Depositphotos

O Tribunal de Contas da União (TCU) adiou, a pedido do ministro relator Jorge Oliveira, o julgamento do acordo de devolução amigável da concessão da Concessionária das Rodovias Centrais do Brasil (Concebra).

Antes de solicitar a retirada do processo de pauta, o relator indicou que condicionantes estabelecidas anteriormente pelo tribunal para a continuidade das negociações não haviam sido cumpridas. Na avaliação dele, esse cenário inviabilizaria a aprovação do acordo nos termos atuais.

Segundo Oliveira, a principal exigência definida pelo TCU tratava da revisão do desconto aplicado aos passivos regulatórios da concessionária.

O ministro afirmou que o abatimento, inicialmente estimado em 65%, foi reduzido para 62,13%, percentual que, segundo ele, permaneceria elevado e sem fundamentação compatível com precedentes da Corte. Oliveira também apontou que não houve comprovação satisfatória da suficiência das garantias apresentadas para assegurar o cumprimento das obrigações previstas no acordo.

“Caso o Tribunal avance nessa discussão, iríamos para uma solução de relicitação, que impõe a permanência da concessionária à frente da rodovia por mais tempo, ou para um processo de caducidade, que seria muito mais traumático”, afirmou Jorge Oliveira durante a sessão do colegiado.

Apesar da avaliação do relator, o processo foi retirado de pauta depois que ministros manifestaram dúvidas sobre a metodologia usada para calcular o desconto incidente sobre os débitos da concessionária.

A discussão envolve a consideração de premissas financeiras que, segundo a empresa, poderiam alterar o percentual efetivo de abatimento e aproximá-lo dos parâmetros adotados em casos anteriores analisados pelo tribunal.

A Concebra solicitou a devolução amigável da concessão em 2020, após enfrentar dificuldades financeiras, disputas judiciais e controvérsias relacionadas à execução do contrato. Desde então, concessionária, Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e órgãos de controle buscam uma solução consensual para encerrar a concessão e viabilizar uma nova licitação do ativo.

Caso o acordo seja rejeitado em definitivo, o processo deverá avançar para a relicitação da concessão, com a realização de um novo leilão para escolha da futura operadora do corredor rodoviário.