Quedas aumentam transferências de pacientes para o Into em 2026
De janeiro a maio, 258 pessoas foram recebidas pelo instituto após quedas; mais de 70% tinham 60 anos ou mais
O número de pessoas transferidas para o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) após quedas aumentou quase 50% de janeiro a maio deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. As 258 pessoas recebidas nesses cinco meses representam mais da metade dos pacientes de trauma transferidos para a unidade.
O dado reforça que as quedas estão entre os acidentes que mais provocam lesões ortopédicas. O alerta ocorre nesta quarta-feira (24), Dia Mundial de Prevenção de Quedas, data criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e incluída no calendário do Ministério da Saúde.
Como o Into é um hospital federal que atende apenas pacientes de maior complexidade, todos os casos exigiam, ao menos, avaliação especializada para verificar a necessidade de cirurgia. A maioria precisou passar por operação.
De acordo com o chefe do Centro de Trauma do Into, Tito Rocha, o envelhecimento da população é um fator central para compreender esse aumento. Mais de 70% dos pacientes tinham 60 anos ou mais.
“A falta do equilíbrio, a diminuição da força, a perda da acuidade visual, tudo isso vem com a idade. Nos últimos 20 anos, a gente teve aumento fantástico da longevidade. Quando você aumenta o número de pessoas idosas, você aumenta também o número de problemas relacionados à idade.”
Outro dado dos atendimentos do Into mostra o impacto do envelhecimento: a maior parte dos pacientes caiu da própria altura, ou seja, sofreu algum desequilíbrio durante atividades da rotina. Mesmo acidentes considerados simples podem ter consequências graves, especialmente entre idosos.
“O jovem, quando cai de própria altura, geralmente sacode a poeira e dá a volta por cima. O idoso não. Ele não consegue nem se levantar e normalmente faz uma fratura que precisa de algum tratamento cirúrgico ou que ele fique acamado”, acrescenta Rocha.
Segundo ele, apesar de necessárias, as intervenções também envolvem riscos. “O idoso internado pode acabar tendo uma pneumonia, uma infecção urinária. A mortalidade associada a uma fratura em idosos é muito grande nos primeiros 30 dias, e em até 1 ano depois da queda fica em torno de 20% a 30%”.
Prevenção
O chefe do Centro de Trauma do Into aponta duas medidas importantes para prevenir quedas. A primeira é o cuidado com o corpo, por meio da prática regular de exercícios físicos, para reduzir a perda muscular e a osteoporose.
“Uma pessoa que já não consegue levantar sozinha de uma cadeira, se ela cai e quebra um osso, ela vai ter uma recuperação bem mais difícil, porque ela já não tinha força óssea e muscular antes.”
A segunda medida é a adaptação da casa. Entre as orientações estão instalar barra no banheiro para apoio, retirar tapetes soltos, usar calçados antiderrapantes e ter cuidado com animais domésticos, que podem se enroscar nas pernas dos donos.
Tito Rocha ressalta que o envelhecimento da população não é um fenômeno negativo e que, atualmente, as pessoas têm se mantido ativas por muito mais tempo do que no passado.
“Chegar aos 90 anos é ótimo, mas tem um preço. Ainda são pessoas com mais comorbidades, mais frágeis, com algum déficit cognitivo.”