Sistema TOI-201 surpreende cientistas ao abrigar planetas em ambiente extremo
Descoberta feita com dados do TESS inclui uma anã marrom de órbita excêntrica e dois planetas em regiões internas e quentes do disco primordial
A identificação do sistema TOI-201 indica que planetas podem se formar mesmo em condições consideradas extremas, desafiando modelos tradicionais sobre a formação planetária.
Cientistas identificaram, a partir de dados do satélite TESS, um sistema planetário considerado improvável. A descoberta tem como ponto central a anã marrom TOI-201 c, descrita como uma “estrela falha”, cuja órbita extremamente elíptica, em tese, dificultaria a formação de mundos estáveis ao seu redor.
Apesar disso, dois planetas se formaram em uma faixa estreita dentro da órbita da anã marrom: uma superterra, chamada TOI-201 d, e um Júpiter quente, identificado como TOI-201 b. As órbitas dos dois corpos, de 5,8 e 53 dias, respectivamente, estão alinhadas com a trajetória excêntrica de TOI-201 c, resultado considerado inesperado pelos astrônomos.
Segundo um portal especializado, Aldo Bonomo, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália (INAF, na sigla em italiano), afirmou que o sistema mostra que planetas podem surgir mesmo em ambientes marcados pela presença de objetos massivos e instáveis.
“A descoberta desafia a ideia de que gigantes gasosos só se formam em regiões mais distantes do disco primordial, entre duas e três vezes a distância da Terra ao Sol.”
Luca Naponiello, também do INAF, explicou que a órbita excêntrica da anã marrom empurrou os planetas para zonas mais internas e quentes do disco, onde eles conseguiram se formar e sobreviver. Conforme o portal, ele destacou ainda que o Júpiter quente apresenta variações bruscas no tempo de trânsito, o que aponta para uma forte interação gravitacional com TOI-201 c.
O sistema foi detectado inicialmente por meio de um raro monotrânsito observado pelo TESS. Depois disso, uma ampla campanha de observações terrestres foi realizada. A confirmação da massa da anã marrom é considerada um marco, já que objetos com órbitas tão longas raramente são detectados em trânsito.
Com isso, TOI-201 c passou a ser o objeto em trânsito com o período orbital mais longo cuja massa é conhecida. O sistema oferece uma oportunidade para investigar como planetas podem surgir em cenários extremos e ainda pouco compreendidos da formação planetária.
Por Sputinik Brasil