Catar defende canal direto entre EUA e Irã para segurança em Ormuz
Linha direta é considerada essencial para checar ameaças a navios e apoiar a retomada gradual do tráfego e da produção de GNL
O primeiro-ministro do Catar, xeique Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, afirmou que a linha direta estabelecida entre Estados Unidos e Irã é fundamental para evitar sabotagens e garantir a reabertura segura do estreito de Ormuz.
De acordo com a mídia britânica, o chefe do governo catari disse que o canal permite verificar diretamente com Teerã cada ameaça registrada na hidrovia. Segundo ele, grupos hostis podem emitir falsos alertas a embarcações, em um cenário marcado por minas e ameaças durante a guerra.
A retomada do tráfego no estreito é considerada central para o acordo provisório firmado na semana passada e para os esforços do presidente norte-americano Donald Trump de aliviar a crise energética. O Catar, segundo maior exportador de gás natural liquefeito (GNL), já prepara seus navios e prevê normalização parcial da produção em semanas, com exceção das instalações gravemente danificadas pelos ataques iranianos.
Conforme a apuração citada, a QatarEnergy só suspenderá a força maior quando houver segurança plena. A guerra interrompeu exportações, atrasou a expansão do campo North Field e destruiu unidades responsáveis por 17% do GNL do país. Os reparos são estimados em até cinco anos.
Embora o Corpo de Guardiães da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) do Irã tenha anunciado novo fechamento do estreito após ataques israelenses ao Hezbollah, Doha afirma que a hidrovia permanece aberta. A expectativa é que o tráfego volte ao nível anterior à guerra no 30º dia do memorando, ainda que a confiança leve tempo para ser restabelecida.
O acordo prevê mais 60 dias de cessar-fogo e o início de negociações nucleares, com mediação de Catar e Paquistão. Também foi criado um mecanismo de "saída do conflito" para conter choques entre Israel e Hezbollah. O premiê classificou a resposta israelense como desproporcional.
Washington autorizou temporariamente vendas de petróleo iraniano e discute um fundo de até US$ 300 bilhões, cerca de R$ 1,5 trilhão, para investimentos no Irã. O Catar afirma, no entanto, que qualquer aporte do país teria caráter estritamente comercial.
Xeique Mohammed alertou que os impactos à economia global, de fertilizantes a hélio, ainda deverão ser sentidos nos próximos meses. Ele também rejeitou qualquer plano iraniano de cobrar pedágios no estreito, afirmando que o Catar não aceitará que sua única rota marítima seja controlada de forma unilateral.
O premiê disse ainda que as conversas na Suíça lançaram as bases para um acordo final e que, havendo vontade política, avanços mais amplos em segurança regional podem ocorrer antes do fim do prazo do cessar-fogo.
Por Sputinik Brasil