Cocaína em cargas de madeira pode ultrapassar apreensões do ano no Brasil
Receita Federal estima que operação em Corumbá e Cáceres tenha interceptado entre 20 e 50 toneladas da droga
A apreensão de cocaína líquida misturada a cargas de madeira em Corumbá (MS) e Cáceres (MT), no domingo, 21, pode se tornar a maior da história do País. O volume também deverá superar o total da droga interceptado de janeiro a maio deste ano, conforme dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Nos cinco primeiros meses deste ano, as polícias estaduais e Federal apreenderam 44,7 toneladas de cocaína no Brasil. Abril foi o mês com maior volume registrado em 2026, com 12 toneladas interceptadas.
Na ação realizada na fronteira com a Bolívia, batizada de Timber Shield, a Receita Federal estima que o total apreendido em meio à carga de madeira possa variar entre 20 e 50 toneladas.
Ao todo, foram apreendidos oito caminhões que transportavam 260 toneladas de madeira com a droga. Segundo a Receita, a estimativa é de que entre 10% e 20% da carga seja cocaína, com base em ocorrências anteriores envolvendo o mesmo método de ocultação.
Procurada pelo Estadão, a Receita Federal informou que a quantidade total de cocaína apreendida ainda depende da perícia que será realizada pela Polícia Federal (PF). A reportagem entrou em contato com a PF e aguarda retorno.
Desde 2015, o Ministério da Justiça e Segurança Pública consolida no Sinesp os dados sobre apreensões de drogas. De acordo com o ministério, as informações repassadas pelas secretarias estaduais de Segurança Pública são agrupadas por mês e por ano, sem identificação individual das operações.
Veja dados de apreensões de cocaína no Brasil, segundo o Sinesp:
2026 (janeiro a maio): 44.798 kg
2025: 127.589 kg
2024: 139.237 kg
2023: 128.617 kg
2022: 121.315 kg
2021: 84.630 kg
2020: 59.332 kg
2019: 72.863 kg
2018: 27.134 kg
2017: 69.842 kg
2016: 42.206 kg
2015: 29.704 kg
Operação na fronteira
A operação foi conduzida pela Receita Federal em cooperação internacional com os Estados Unidos e a Aduana Nacional da Bolívia. Informações compartilhadas pelos EUA indicam que a carga apreendida no Brasil tem relação com outras cargas interceptadas no Chile no início do mês, todas de origem boliviana.
Segundo a Receita Federal, somente no dia 6 de junho a aduana chilena apreendeu 100 toneladas da droga misturada em madeira.
"A cooperação internacional entre Brasil, EUA e Bolívia foi determinante para identificação do esquema internacional, com atuação integrada entre as aduanas, os EUA e a Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico, FELCN da Bolívia", informou o órgão. "A Operação Timber Shield evidencia o alto grau de sofisticação das organizações criminosas e reforça a importância da cooperação internacional", explicou.
Apesar da cooperação internacional, a cocaína apreendida em Corumbá e Cáceres permanecerá no Brasil, segundo o órgão.
"Confirmado o volume, será a maior apreensão de cocaína da história do Brasil - e uma das maiores da já registradas no mundo. É uma resposta firme do Estado brasileiro à sofisticação das organizações criminosas que atuam no tráfico internacional", afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em publicação na rede social X.