POLÍTICA BRITÂNICA

Burnham ganha força no Trabalhista após Jones descartar candidatura

Starmer deve deixar o governo nas próximas semanas, quando o Partido Trabalhista escolher um novo líder

Por Estadao Conteudo Publicado em 24/06/2026 às 11:25
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Andy Burnham ampliou suas chances de se tornar o próximo primeiro-ministro do Reino Unido nesta quarta-feira, depois que Darren Jones, ministro do Gabinete e apontado como possível adversário, informou que não disputará a liderança do Partido Trabalhista.

Keir Starmer, que anunciou na segunda-feira a intenção de renunciar, participou da sessão semanal de Perguntas ao Primeiro-Ministro no Parlamento. Depois, seguiu para Berlim, onde se reuniria com aliados europeus para tratar da Ucrânia e do Oriente Médio.

Starmer deve deixar o governo nas próximas semanas, assim que o Partido Trabalhista definir seu novo líder.

No Parlamento, Starmer e sua equipe foram criticados pela líder conservadora Kemi Badenoch, que citou supostos fracassos e afirmou que o Partido Trabalhista "traiu" e abandonou o premiê em favor de Burnham. Ela também ironizou o possível sucessor, chamando-o de apenas "um par de cílios e uma camiseta preta".

Starmer respondeu que se orgulha de seu histórico e afirmou ter atuado para reverter anos de austeridade sob os conservadores.

"O teste para todo primeiro-ministro é entregar este país em melhor condição do que a que encontrou", declarou. "Eu sei que consigo fazer isso."

Aliado de Starmer, Jones vinha sendo pressionado a entrar na disputa para obrigar Burnham a submeter suas ideias e propostas ao escrutínio de parlamentares e filiados trabalhistas.

Outros integrantes do partido, no entanto, avaliam que uma disputa poderia aprofundar divisões internas e prolongar a incerteza política.

Jones disse à Sky News que concorrer "não é algo que eu vá fazer".

Apesar da decisão, ele alertou Burnham contra uma guinada excessiva à esquerda na política econômica, ponto que preocupa setores empresariais e financeiros. Burnham deve indicar um novo titular do Tesouro para substituir Rachel Reeves, escolhida por Starmer.

Segundo Jones, o nome escolhido precisa ser alguém "capaz de tranquilizar os mercados, tranquilizar os sindicatos e tranquilizar a bancada trabalhista no Parlamento e, por extensão, o público".

A expectativa é que Burnham faça um discurso na próxima semana para apresentar parte de seus planos econômicos.

Starmer deixa o cargo após dois anos de governo marcados por tropeços e erros de avaliação que enfraqueceram sua posição diante do partido e do eleitorado.

Burnham, ex-ministro e prefeito da Grande Manchester desde 2017, venceu na semana passada uma eleição suplementar para uma cadeira no Parlamento. O objetivo declarado era desafiar Starmer pela liderança do Partido Trabalhista e do país.

Até o momento, não há outros candidatos. O ex-ministro da Saúde Wes Streeting, apontado como o principal rival de Burnham, afirmou que dará apoio a ele.

As indicações para a liderança trabalhista serão abertas em 9 de julho e encerradas uma semana depois.

Se Burnham for o único concorrente, poderá assumir como primeiro-ministro em 17 de julho. Caso haja disputa, o vencedor deve ser definido até a volta do Parlamento do recesso de verão, em 1º de setembro.

Na reunião semanal do gabinete, realizada na terça-feira, Starmer disse que tentará conduzir uma "transição ordenada" para seu sucessor.

Ele também mantém uma agenda cheia para tentar deixar marcas de seu mandato encurtado. No período restante no cargo, porém, não poderá fazer novos anúncios relevantes de políticas nem assumir grandes compromissos de gastos.

A viagem a Berlim para a reunião do "E5" — Alemanha, França, Itália, Polônia e Reino Unido — inclui debates sobre defesa europeia, a guerra na Ucrânia e o conflito no Oriente Médio. A agenda reforça a atuação de Starmer no cenário internacional. Ele tem demonstrado mais segurança na coordenação com aliados para apoiar Kiev e lidar com os desdobramentos da guerra com o Irã do que na agenda doméstica.

O governo britânico deve publicar um aguardado plano de investimentos em defesa, que levou à renúncia do secretário de Defesa John Healey em 11 de junho, antes da cúpula da Otan na Turquia, marcada para 7 e 8 de julho, da qual Starmer provavelmente participará.

Fonte: Associated Press.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.