ARQUEOLOGIA

Modelo 3D detalha cisterna romana e sistema de água no sul da Espanha

Estudo sobre a Grande Cisterna da Sierra Aznar aponta capacidade de 2,18 milhões de litros e indica fluxo hidráulico por gravidade

Por Sputnik Brasil Publicado em 24/06/2026 às 11:10
Grande Cisterna da Sierra Aznar, no sul da Espanha, foi analisada em modelo 3D detalhado CC BY 4.0 / José Antonio Calvillo-Ardila, Lázaro Gabriel Lagóstena-Barrios, Pedro L. Galindo, 2026 /

Um estudo recente gerou o modelo 3D mais detalhado já produzido da Grande Cisterna da Serra Aznar, estrutura romana de armazenamento de água localizada no sul da Espanha, segundo a revista Archaeology News.

De acordo com a publicação, o trabalho oferece aos arqueólogos uma compreensão mais precisa sobre o funcionamento do sistema hidráulico e sobre a evolução do sítio ao longo de quase 2.000 anos.

Construída no século I dC, a cisterna integrava uma rede mais ampla destinada à captação, ao armazenamento e ao transporte de água pela região.

Para registrar o monumento, os pesquisadores combinaram fotogrametria e varredura a laser terrestre. A fotogrametria utiliza centenas de fotografias para formar um modelo digital em 3D, enquanto a varredura a laser registra milhões de profundidade nas superfícies. A combinação dos métodos pesquisados ​​em uma cópia digital detalhada da cisterna.

Segundo o artigo, a equipe utilizou 513 fotografias, 11 varreduras a laser e alvos de levantamento medidos com instrumentos de alta precisão para construir a proteção digital. Nas condições de campo, a fotogrametria apresentou soluções propostas maiores que a varredura a laser, mas ambos os métodos forneceram dados adequados para a análise arqueológica.

Com base no modelo concluído, os pesquisadores estimaram que a cisterna tinha capacidade máxima de aproximadamente 2.180 metros cúbicos, o equivalente a 2,18 milhões de litros. A estrutura possui área de base de cerca de 437 metros quadrados e profundidade aproximada de cinco metros.

O volume de sedimentos acumulados no interior foi estimado em cerca de 820 metros cúbicos, preenchendo aproximadamente 37,5% do volume original. Em alguns trechos, os depósitos ultrapassaram dois metros, marcando processos naturais de longo prazo e uso posterior ao período romano.

Os pesquisadores também modelaram bacias de sedimentação adjacentes e uma fonte. A análise mostrou que a cisterna ficou no ponto mais alto da encosta, as bacias em nível inferior e a fonte no ponto mais baixo, o que indica um fluxo movido pela gravidade, com a cisterna funcionando como reservatório principal.

Embora nenhum canal tenha sido preservado, as diferentes posições, elevações e capacidades das estruturas — cisterna com 2.180 m³, bacias combinadas com 95 m³ e fonte com 443 m³ — apontam para um sistema coordenado em que a água era preservada, passando por decantação e depois foi localizada.

Por Sputinik Brasil