DIPLOMACIA

Rutte se reúne com Trump antes de cúpula da Otan

Encontro ocorre em meio a tensões entre Washington e aliados europeus e à revisão da presença militar dos EUA na Europa

Por Estadao Conteudo Publicado em 24/06/2026 às 08:50
Donald Trump © telegram SputnikBrasil

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, tem reunião nesta quarta-feira, 24, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro acontece a menos de duas semanas da cúpula anual da aliança militar, em um momento de aumento das tensões entre Washington e países europeus aliados.

A reunião ocorre enquanto o Pentágono avalia o tamanho da presença militar americana na Europa. Trump também voltou a ameaçar retirar os Estados Unidos da organização.

O presidente norte-americano critica há anos a Otan por entender que os Estados Unidos assumem uma parcela excessiva dos gastos com defesa. As divergências cresceram após o conflito envolvendo o Irã, quando Trump demonstrou insatisfação com países da aliança que não atenderam ao pedido para ajudar a restabelecer o comércio de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

Rutte, reconhecido por sua habilidade em lidar com Trump, deve tentar diminuir as tensões antes da reunião de líderes da Otan, marcada para o próximo mês na Turquia. A permanência dos Estados Unidos na aliança passou a ser uma das principais preocupações dos aliados europeus desde o retorno do republicano à Casa Branca.

A visita também ocorre depois de o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, adotar um tom duro com parceiros europeus durante reunião na sede da Otan, em Bruxelas, na semana passada. Na ocasião, ele anunciou uma revisão de seis meses da presença militar americana no continente.

Hegseth repetiu críticas de Trump ao afirmar que aliados europeus não permitiram o uso de bases militares em seus territórios para operações contra o Irã. Os países da Otan não foram consultados previamente sobre a ofensiva realizada pelos Estados Unidos em conjunto com Israel, e alguns governos europeus criticaram a estratégia adotada por Washington.

Trump afirmou que os aliados não estiveram ao lado dos Estados Unidos e voltou a sugerir a saída do país da aliança, criada em 1949 para conter a influência soviética na Europa. O princípio central da Otan é a defesa coletiva, pelo qual um ataque contra um membro é considerado um ataque contra todos. A cláusula foi acionada apenas uma vez, após os atentados de 11 de setembro de 2001, em apoio aos Estados Unidos.

A sinalização do Pentágono de que pretende reduzir sua presença militar na Europa para concentrar recursos em outras regiões aumenta a incerteza para a aliança, que reúne 32 membros. No ano passado, Trump também provocou desconforto entre aliados ao ameaçar anexar a Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca, integrante da Otan.

Nos últimos meses, Rutte intensificou os elogios ao presidente americano, atribuindo a ele o aumento dos gastos militares dos países-membros. Trump pressionou os aliados a aceitarem uma meta de investimento em defesa equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2035.

Na noite de terça-feira, o secretário-geral participou de entrevista à Fox News, emissora acompanhada regularmente por Trump. Durante a conversa, disse estar "totalmente" alinhado ao presidente na questão iraniana e minimizou as reclamações sobre o uso de bases militares europeias, classificando-as como casos "isolados".

A estratégia de aproximação de Rutte já provocou questionamentos entre diplomatas europeus. Na cúpula da Otan do ano passado, ele chamou Trump de "papai" ("daddy") e, depois, enviou uma mensagem elogiando o presidente e afirmando que "a Europa vai pagar MUITO mais" em defesa. Trump divulgou o conteúdo nas redes sociais. Em janeiro, publicou outra mensagem enviada por Rutte, encerrada com a frase: "Mal posso esperar para vê-lo. Seu, Mark."

Fonte: Associated Press.

Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.