MERCADO FINANCEIRO

Dólar fecha a R$ 5,187, maior cotação desde março

Moeda norte-americana subiu 0,89% nesta terça-feira; Ibovespa avançou 0,52%, aos 171.258 pontos

Por Agência Brasil Publicado em 23/06/2026 às 20:21
Dólar fechou a R$ 5,187, maior nível desde 30 de março; Ibovespa subiu 0,52%

O dólar avançou nesta terça-feira (23), em meio ao aumento da aversão ao risco no mercado global, e encerrou o dia no maior patamar em quase três meses. A bolsa de valores teve alta pouco acima de 0,5%, em movimento influenciado, em parte, pelo alívio após a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

No cenário externo, investidores acompanharam a queda das ações de tecnologia nos Estados Unidos, sinais sobre a política monetária do Federal Reserve (Fed, Banco Central estadunidense) e as negociações envolvendo o petróleo, que fechou em baixa com foco no contexto geopolítico.

Câmbio pressionado

O dólar à vista fechou com valorização de 0,89%, cotado a R$ 5,187, maior nível de encerramento desde 30 de março. Durante a sessão, a moeda chegou a tocar R$ 5,19.

A alta refletiu a busca por segurança diante da expectativa por novos dados de inflação nos Estados Unidos, que podem influenciar as próximas decisões do Fed sobre juros. Indicadores recentes de atividade econômica americana acima do esperado ampliaram as apostas de manutenção de uma política monetária mais restritiva.

Bolsa vira o sinal

O Ibovespa encerrou o pregão aos 171.258 pontos, com avanço de 0,52%, depois de registrar queda durante a manhã acompanhando o desempenho negativo dos mercados internacionais.

A recuperação foi puxada pelo avanço de ações da Petrobras, de grandes bancos e de empresas ligadas ao ciclo econômico. O recuo das taxas de juros futuros após a divulgação da ata da última reunião do Copom também ajudou a melhorar o desempenho da renda variável.

No documento, o BC indicou a possibilidade de pausar o corte de juros, a depender do cenário internacional. A ata reduziu parte do desconforto provocado pelo comunicado divulgado após a reunião da semana passada, quando o Copom não havia mencionado os próximos passos para a Selic.

Cenário externo

Nos Estados Unidos, o índice Nasdaq caiu cerca de 2%, impactado por realização de lucros em empresas de tecnologia e inteligência artificial. O mercado também acompanhou sinais de força da economia americana antes da divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE), principal indicador de inflação monitorado pelo Fed.

Na Europa, dados mais fracos de atividade econômica contribuíram para ampliar a cautela dos investidores.

Petróleo recua

O petróleo terminou o dia em queda, enquanto o mercado monitorava as negociações entre Estados Unidos e Irã e possíveis mudanças no fluxo da commodity pelo Estreito de Ormuz.

O contrato do Brent para setembro, referência para a Petrobras, caiu 0,93%, a US$ 76,80 por barril. O WTI, barril do Texas, para agosto, recuou 0,88%, encerrando a US$ 73,21 por barril.

A possibilidade de aumento da oferta, com flexibilização de restrições ao petróleo iraniano, pressionou os preços, enquanto investidores aguardam novos sinais sobre o equilíbrio do mercado global.

*Com informações da Reuters