SEGURANÇA PÚBLICA

São Paulo lança app para denúncia de veículos suspeitos e testa helicóptero no Smart Sampa

Ferramenta permite fotografar placas para checagem de registros policiais; Prefeitura diz que denúncia será anônima e sem reconhecimento facial

Por Estadao Conteudo Publicado em 23/06/2026 às 16:02
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Prefeitura de São Paulo lançou nesta terça-feira, 23, um aplicativo para que moradores denunciem suspeitas envolvendo veículos furtados, roubados ou com placas adulteradas. Também foi anunciada a implementação de um presidente executivo ao Smart Sampa.

O aplicativo funciona a partir do registro da placa do automóvel ou da motocicleta. O usuário deverá fotografar a placa pelo aplicativo, e a tecnologia fará a verificação em bases policiais para identificar possíveis irregularidades. Se houver registro, o sistema acionará automaticamente uma equipe técnica para validar as informações. Confirmada a ocorrência, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) será enviada ao local para realizar a apreensão.

A ferramenta integra o Smart Sampa, programa municipal de câmeras com reconhecimento facial e leitura de placas. De acordo com a Prefeitura, desde o início da operação, em novembro de 2024, o sistema possibilitou a captura de 3.275 forgidos da Justiça e 5.802 prisões em flagrante. Também foram identificadas 3.081 ocorrências com veículos e localizadas 229 pessoas desaparecidas.

O Município informou que o aplicativo não será usado para identificar suspeitos nem fará reconhecimento facial. Segundo o prefeito Ricardo Nunes (MDB), o aplicativo passou por todas as etapas de validação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e a privacidade da população será assegurada. A notificação será anônima.

Nunes também afirmou que, “de jeito nenhum”, uma ferramenta será utilizada para receber denúncias sobre infrações ao rodízio ou falta de pagamento do IPVA.

Atualmente, a Prefeitura conta com 20 mil câmeras próprias de monitoramento, além de 30 mil equipamentos da sociedade civil integrados ao projeto. "Agora, imagine milhões de celulares pela cidade registrando e verificando as placas. As pessoas vão fazer a imagem e não precisam fazer mais nada. Já deram uma grande contribuição. E aí fica com as forças policiais", disse o prefeito.

De acordo com Nunes, o desenvolvimento do aplicativo já estava previsto no contrato de R$ 10 milhões mensais do Smart Sampa e não gerou custos extras.

O app Smart Sampa Cidadão pode ser baixado gratuitamente em smartphones com sistema iOS, a partir do 26.0, ou Android, versão 7.0 ou superior.

Para usar a ferramenta, o cidadão precisa criar uma conta. Em seguida, deve apontar a câmera do celular para a placa do veículo. O aplicativo faz a verificação nas bases de dados das forças policiais. Caso haja alguma restrição, um alerta aparece no celular e a equipe do Smart Sampa é acionada.

Ao testar o aplicativo terça-feira, o Estadão nesta terça-feira obteve falhas na leitura da placa. Em quatro tentativas, a chapa BYY1370 foi registrada corretamente apenas uma vez. Nos demais testados, o app acordos a placa, de forma incorreta, como BVL3770, BVY1370 e AYY3370. Procurada, a Prefeitura ainda não havia se manifestado.

O Smart Sampa é uma das principais bandeiras de Nunes. Desde a implementação do programa, houve críticas ao modelo. Entre os pontos apontados por especialistas estão identificações imprecisas, abordagens indevidas e risco de violação à privacidade. Algumas cidades americanas, como Baltimore e São Francisco, aboliram o uso de reconhecimento facial por órgãos públicos.

O prefeito afirmou que espera chegar a 100 mil câmeras no Smart Sampa até o fim do ano, com a aquisição de 20 mil equipamentos pela Prefeitura, 20 mil pelo Governo do Estado e a integração de mais unidades da sociedade civil.

Helicóptero do Smart Sampa custa R$ 2 milhões

Nesta terça-feira, Ricardo Nunes também anunciou a implementação de um helicóptero do Smart Sampa. A aeronave leva uma câmera de cerca de 40 cm, capaz de realizar reconhecimento facial e leitura de placas a 40 km de distância.

O aluguel do helicóptero, já com o equipamento, custa R$ 2 milhões por mês. Como a tecnologia ainda está em fase de teste prático para avaliação das soluções técnicas, operacionais e financeiras, a compra da aeronave não está sendo cogitada no momento pela Prefeitura. A previsão é que o helicóptero seja usado quatro horas por dia, conforme a demanda das ocorrências policiais.

A proposta é utilizar a aeronave no apoio à busca por suspeitos, acompanhamento de ocorrências em andamento e operações conjuntas das forças de segurança. O sistema de conta com visão térmica e infravermelha para operações noturnas e também pode ser usado para verificação de incêndios florestais ou desmatamentos.