Setor industrial passa a prever recuo nas exportações após proposta de tarifas dos EUA
Sondagem da CNI aponta queda no indicador de expectativa de vendas externas, que ficou abaixo dos 50 pontos em junho
A mudança industrial da Sondagem trouxe nas expectativas da indústria para as segundas exportações nos próximos seis meses, a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento mostra que a piora ocorreu após o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propor novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Em junho, o índice de expectativa de quantidade exportada recuou 1,5 ponto, passando de 51,2 pontos para 49,7 pontos. O indicador, que vinha em campo positivo desde janeiro deste ano e sinalizava perspectiva de alta nas exportações, passou a indicar expectativa de queda para os próximos seis meses, situação que ainda não havia ocorrido em 2026.
De acordo com a CNI, essa foi a maior retração entre os indicadores de expectativa avaliados na pesquisa e interrompeu a sequência de resultados positivos registrados desde o início do ano.
Uma entidade ressalta que os Estados Unidos são o principal destino das exportações de produtos industrializados brasileiros, fator que ajuda a explicar a piora nas expectativas do setor diante da possibilidade de aplicação das novas tarifas.
“Embora a proposta de tributação ainda não esteja concluída, a possibilidade de isso ocorrer mexe com as expectativas dos empresários em relação às exportações, uma vez que os Estados Unidos são o principal destino dos produtos industriais brasileiros”, afirma o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.
O levantamento também registrou perda de ritmo em outros indicadores de confiança. O índice de expectativa de compra de insumos e materiais-primas caiu 0,9 ponto, de 52,6 pontos para 51,7 pontos. Já o indicador de expectativa de demanda recuou 0,7 ponto, de 53,4 pontos para 52,7 pontos.
Mesmo com as quedas, os dois indicadores permaneceram acima da linha de 50 pontos, o que sinaliza expectativa de crescimento nos próximos seis meses, embora de forma menos intensa e menos divulgada entre as empresas.
As expectativas menos desenvolvidas também tiveram impacto nas decisões de investimento dos empresários. O índice de intenção de investimento caiu 1,3 ponto em junho, de 54,8 pontos para 53,5 pontos, revertendo integralmente a alta de 1,1 ponto observado em maio. Apesar do retrocesso, o indicador segue 0,9 ponto acima de sua média histórica.