ECONOMIA

Varejo brasileiro registra queda real de 3,6% nas vendas em maio

Índice da Cielo aponta retração mais forte para o mês desde 2021, com recuo em todas as regiões do País

Por Estadao Conteudo Publicado em 23/06/2026 às 15:13

As vendas do varejo brasileiro tiveram queda de 3,6% em termos reais em maio, na comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). O resultado, já descontada a inflação, foi uma maior retração para um mês de maio em relação a 2021, período ainda influenciado pelos efeitos da pandemia de covid-19.

De acordo com a Cielo, o desempenho reflete um cenário de maior cautela das famílias, diante de juros elevados, renda comprometida e inflação técnica em itens essenciais. A retração também foi mais intensa desde março de 2025, quando o índice apontava queda de 3,8%.

A empresa informou ainda que parte do resultado está relacionada a um efeito calendário menos favorável em comparação com maio do ano passado. Em 2025, uma quinta-feira adicional coincidiu com o feriado do Dia do Trabalhador, favorecendo emendas e gastos ligados ao lazer. O Dia das Mães também contribuiu para uma base de comparação mais exigente.

"Maio confirmou um consumidor mais racional e seletivo. Com o orçamento mais decisivo, as famílias estão priorizando despesas essenciais e buscando mais preço e promoção antes de decidir a compra", afirmou o vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo, Carlos Alves.

Recorte

O enfraquecimento do consumo foi registrado em todas as regiões do País. O Centro-Oeste teve o pior desempenho, com recuo de 4,9%, seguido pelo Sudeste, com queda de 4,7%. No Nordeste, as vendas caíram 3,1%. Norte e Sul tiveram baixas de 2,4% e 1,9%, respectivamente.

Entre os Estados, Goiás registrou a maior retração do País, de 6,7%. Em seguida aparecem São Paulo (-5,4%), Pernambuco (-5,2%), Rio de Janeiro (-4,7%) e Roraima (-4,5%). Na outra ponta, o Amapá liderou o desempenho nacional, com alta de 3,1%, seguido por Sergipe, que cresceu 0,9%.

Entre os macrossetores, Serviços foi o mais afetado em maio, com queda de 8,9%. Segundo a Cielo, Turismo e Transporte teve uma maior contribuição negativa, em meio à alta acumulada das passagens aéreas e à maior seletividade dos consumidores. O segmento de Alimentação, Bares e Restaurantes também influenciou o resultado.

Em Bens Duráveis ​​e Semiduráveis, Materiais para Construção participou das contribuições negativas, seguidas por Vestuário e Artigos Esportivos. Já em Bens Não Duráveis, os principais impactos vieram de Drogarias e Farmácias e de Supermercados e Hipermercados.