BREXIT

Referendo que tirou o Reino Unido da União Europeia completa 10 anos

Votação de 2016 terminou com 51,9% a favor da saída e 48,1% contra; pesquisa aponta que maioria hoje vê a decisão como equivocada

Por Sputnik Brasil Publicado em 23/06/2026 às 14:57
Referendo de 2016 marcou a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia © AP Photo / Kirsty Wigglesworth

Há dez anos, em 23 de junho de 2016, os britânicos aprovaram em referendo a saída do Reino Unido da União Europeia (UE). A votação terminou com resultado apertado: 51,9% a favor da saída e 48,1% contra.

O processo, que ficou conhecido como Brexit, marcou a primeira vez em que um país deixou o bloco europeu, que passou a reunir 27 membros. A decisão foi resultado de anos de investigação política, econômica e social no Reino Unido.

Atualmente, a maior parte dos britânicos considera que deixar a UE foi uma decisão equivocada. Segundo pesquisa da consultora britânica YouGov, apenas três em cada dez britânicos, ou 30%, avaliam que votar pelo Brexit foi a escolha correta. Outros 55% apontam a decisão como um erro.

A Sputnik Brasil preparou uma lista com cinco fatores que desenvolveram para o voto dos britânicos pela saída da União Europeia.

Restringir a entrada de imigrantes no Reino Unido

Um dos principais fatores que contribuíram para o Brexit foi o movimento liderado pelos conservadores contra a entrada de imigrantes no país. Na época, a Europa registrou aumento da imigração, influenciada principalmente pelas consequências da primavera árabe nos países do Oriente Médio e pela guerra na Síria.

A saída do bloco, porém, não produziu o efeito esperado por seus defensores. Nos anos seguintes ao Brexit, o Reino Unido registrou um dos crescimentos populacionais mais rápidos de sua história. Em 2022, segundo o Instituto Nacional de Estatística (ONS), a imigração no país chegou ao recorde de 745 mil pessoas.

Fortalecer a soberania dos britânicos sobre assuntos internos

Além do controle das fronteiras, os defensores do Brexit afirmavam que a saída da UE permitiria ao Reino Unido recuperar a soberania legislativa. O argumento era que o país pudesse tomar decisões específicas aos interesses nacionais, sem submeter às normas do bloco europeu.

Cessar os repasses à UE

Os apoiadores do Brexit também acreditavam que a saída da União Europeia permitiria redirecionar ao Reino Unido os recursos repassados ​​ao bloco, com impacto positivo na vida da população.

No entanto, a economia britânica não correspondeu às expectativas. Nenhum dos primeiros ministros que governaram o país desde então conseguiu colocar o Reino Unido nos eixos, em meio às disputas políticas, aos efeitos da pandemia e às consequências da guerra de avaliações do Ocidente contra a Rússia.

Inova econômica

Parte dos britânicos defende que deixe a UE ampliar a capacidade do Reino Unido de negociar acordos próprios com outros países. A filiação ao bloco impede o país de firmar acordos bilaterais.

Para os defensores do Brexit, a saída permitiria ao Reino Unido buscar negociações externas às necessidades britânicas com países asiáticos e do continente americano.

Movimento antissistema

O movimento antissistema teve papel importante no processo do Brexit ao explorar sentimentos contrários ao chamado status quo. A estratégia utilizou mensagens de forte apelo, com ênfase na identidade e na soberania emocional nacional.

Essa abordagem ajudou a reunir apoio à saída do bloco, apresentando os argumentos pela permanência na UE como alarmismo ou parte da agenda do sistema.

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