MERCADO FINANCEIRO

Ibovespa oscila perto dos 170 mil pontos após ata do Copom

Índice chegou a cair mais de 1%, mas tentava se recuperar em meio à pressão externa sobre ações de tecnologia

Por Estadao Conteudo Publicado em 23/06/2026 às 11:46
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O Ibovespa abriu praticamente estável nesta terça-feira, 23, aos 170.367,40 pontos, mas passou ao campo negativo logo depois, em meio à divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e às incertezas no exterior envolvendo o setor de tecnologia.

Fora do Brasil, investidores acompanham declarações de autoridades do Irã e dos Estados Unidos sobre negociações de paz e monitoram sinais de liquidação de ações de tecnologia. Apesar do cenário, o Índice Bovespa tentava sustentar alta e defender o patamar de 170 mil pontos.

No mercado doméstico, a ata do Copom da reunião de junho, realizada na semana passada, buscou esclarecer pontos deixados pelo comunicado, quando a Selic foi reduzida em 0,25 ponto porcentual, para 14,25% ao ano.

No documento, o Banco Central afirmou que julgou “como mais adequadas, nesse momento, trajetórias de Selic menos discrepantes às presentes na Focus, QPC e precificação da política monetária, por evitarem induzir volatilidade excessiva nos preços dos ativos financeiros e agregados macroeconômicos, com efeitos potencialmente contraproducentes à própria convergência da inflação à meta”.

Para Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, havia expectativa de que o Banco Central fizesse um esforço adicional para esclarecer alguns pontos, mas isso não ocorreu. “Piorou o humor do mercado assim que foi divulgada. Veio confusa”, afirmou.

Segundo Spiess, o colegiado do BC não conseguiu explicar, na ata, a mudança considerada heterodoxa feita no comunicado da semana passada, quando alterou o horizonte relevante do terceiro trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028. Para ele, essa ausência aumenta a desconfiança dos agentes em relação ao Banco Central.

O economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, avaliou que a ata trouxe mais detalhes à argumentação do comunicado. Ainda assim, afirmou em relatório que considera a justificativa frágil, embora avalie que ela possa acalmar parte dos agentes.

“Nossa avaliação é de que a ata desenhou uma conjuntura bem hawkish, inclusive com a classificação do balanço de riscos com assimetria altista, o que por algum motivo foi ocultado no comunicado da última quarta-feira”, disse Sanchez.

De acordo com a Ativa, a reversão dovish aparece no 21º parágrafo, em que o Banco Central aponta incertezas relevantes, classificadas no parágrafo seguinte como “em níveis historicamente elevados”.

A agenda de indicadores desta terça-feira é esvaziada no Brasil. No exterior, o foco está nos índices de gerentes de compras, conhecidos pela sigla PMI. As bolsas de Nova York e da Europa recuam, em movimento também observado no mercado acionário asiático.

“O desempenho das bolsas lá fora não ajuda nem um pouco o Brasil. O setor de tecnologia puxa as ações para baixo. Há dúvidas sobre os retornos que estão sendo feitos. Adicionalmente, há frustração com dados da China, indicando desaceleração econômica”, afirmou Bruno Takeo, analista da S4 Consultoria.

Takeo acrescentou que a ata do Copom não esclarece os principais pontos de dúvida deixados pelo comunicado da semana anterior.

Na segunda-feira, o Ibovespa encerrou o pregão em alta de 1,21%, aos 170.370,38 pontos.

Às 11h37 desta terça, o Índice Bovespa avançava 0,19%, aos 170.693,70 pontos. Mais cedo, chegou a cair 1,10%, atingindo a mínima de 168.495,17 pontos.

O petróleo recuava 1%, mas as ações da Petrobras viravam para o campo positivo. O minério de ferro caiu 0,54% em Dalian, enquanto Vale perdia 2,29%.