ARQUEOLOGIA

Navio holandês naufragado em 1633 é identificado após décadas de pesquisa

Dom van Keulen transportava moedas de ouro marroquinas e outros produtos em rota entre o Marrocos e os Países Baixos

Por Sputnik Brasil Publicado em 23/06/2026 às 11:01
Dinar de Ahmad al-Mansur cunhado em Marraquexe, ligado ao naufrágio do Dom van Keulen CC BY 4.0 / Do Marrocos à costa da Inglaterra: a história de Dom van Keulen e sua carga extraordinária/Venetia Porter et al., MAST. /

Após quase três décadas de investigação, arqueólogos identificaram de forma conclusiva o Dom van Keulen, navio mercante holandês do século XVII que naufragou em 1633 na costa sul da Inglaterra.

Segundo a revista Archaeology News, a embarcação levava uma grande carga de moedas de ouro marroquinas e seguia do Marrocos para os Países Baixos quando foi atingida por tempestades violentas durante a viagem rumo ao norte.

De acordo com documentos citados pela publicação, o navio sofreu avarias e acabou naufragando na costa inglesa. Todos os tripulantes conseguiram sobreviver.

A carga, conforme a reportagem, ajuda a revelar aspectos do comércio entre o norte da África e o norte da Europa no século XVII. Fontes históricas indicam que o Dom van Keulen transportava 150 sacos de goma-arábica, 64 sacos de salitre, 320 peles de cabra e cerca de 9 mil ducados da Barbária, moedas de ouro cunhadas no Marrocos.

Embora os pesquisadores acreditem que a maior parte da carga tenha sido recuperada pouco depois do naufrágio, centenas de moedas de ouro permaneceram escondidas no fundo do mar por mais de 300 anos, até serem localizadas por mergulhadores.

As moedas resgatadas integravam uma rede comercial atlântica mais ampla, por meio da qual comerciantes holandeses trocavam produtos manufaturados europeus por ouro norte-africano.

Essa mercadoria teve papel importante na economia holandesa e abasteceu casas de moeda durante os séculos XVI e XVII.

Entre os artefatos recuperados estão moedas, joias, cerâmicas, uma tigela e uma colher de estanho, um selo, um peso de sondagem em forma de peixe e uma pepita de ouro.

Pouco se sabe sobre a aparência física do navio, já que não há pinturas da época. A arqueologia subaquática, no entanto, revelou que os destroços se estendem por cerca de 30 metros no leito marinho, a aproximadamente 18 metros de profundidade, com canhões, âncoras e parte da carga ainda no local.

A identificação do Dom van Keulen dá novo contexto à descoberta inicial das moedas de ouro no fundo do oceano e aproxima de uma solução um enigma arqueológico relacionado a um navio mercante naufragado, uma viagem perigosa e uma rede comercial que ligava a África Ocidental ao norte da Europa.

Por Sputinik Brasil