ORIENTE MÉDIO

Netanyahu busca influenciar negociações entre EUA e Irã sobre o Líbano, diz portal

Segundo a publicação, o primeiro-ministro israelense estaria preocupado com limitações à atuação de Israel contra o Hezbollah

Por Sputnik Brasil Publicado em 23/06/2026 às 10:59
Benjamin Netanyahu teria reagido a acordos entre EUA e Irã sobre o Líbano © AP Photo / Ariel Schalit

Os acordos entre Irã e Estados Unidos teriam provocado forte reação do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por causa de condições consideradas desfavoráveis ao país, especialmente no que envolve o Líbano, informou um portal estadunidense.

Segundo a publicação, Netanyahu tentou influenciar a posição do presidente norte-americano, Donald Trump, por meio de um representante de sua confiança.

"Embora os aspectos nucleares do acordo entre os EUA e o Irã tenham preocupado o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, ele está atualmente muito mais preocupado com a parte relativa ao Líbano [...]. 'Bibi está histérico com isso'", afirmou o portal, citando uma fonte do governo de Israel que se referiu ao premiê pelo apelido.

De acordo com a reportagem, um dos motivos da preocupação é que as ações contra o movimento xiita libanês Hezbollah têm peso político interno às vésperas das eleições de outubro em Israel.

Nesse cenário, Netanyahu teria pedido, nos últimos dias, que Ron Dermer, seu confidente próximo que ocupava o cargo de ministro de Planejamento Estratégico de Israel, acionasse com urgência seus contatos na administração Trump para tentar influenciar as negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o Líbano.

A reportagem também afirma que a atuação de Dermer ajudou a convencer Trump a publicar uma mensagem no Truth Social ameaçando atacar o Irã caso o país não contivesse o Hezbollah. Um funcionário norte-americano confirmou ao veículo a participação de Dermer e disse que negociadores dos EUA na Suíça conversaram com ele várias vezes em 21 de junho para repassar informações sobre as tratativas e ouvir sua avaliação.

Fontes israelenses ouvidas pelo portal afirmam que os novos acordos entre EUA e Irã sobre o Líbano comprometem entendimentos anteriores firmados com o governo do ex-presidente norte-americano Joe Biden, em 2024.

Conforme a publicação, naquele período Israel mantinha o direito de agir contra quaisquer ameaças do Hezbollah. Agora, sua liberdade de ação estaria restrita a ameaças imediatas. Além disso, Israel teria ficado fora do mecanismo de monitoramento, do qual o Irã passou a fazer parte.

Por outro lado, um alto funcionário dos Estados Unidos afirmou que Israel não está excluído, já que os EUA permanecem no mecanismo. Segundo ele, um canal direto com o Irã sobre o Líbano só trará benefícios ao país.

Uma fonte libanesa disse que o presidente do Líbano, Joseph Aoun, está disposto a aceitar o novo mecanismo sob liderança dos EUA. No entanto, a possibilidade de desarmamento efetivo do Hezbollah nas negociações entre Israel e Líbano, que seguirão com mediação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, continua bastante remota, concluiu a reportagem.

Anteriormente, um jornal estadunidense informou, com base em fontes, que dados da inteligência dos EUA indicariam que Netanyahu planeja sabotar o acordo de paz definitivo entre Estados Unidos e Irã. Depois disso, um veículo britânico publicou que o memorando entre EUA e Irã se tornou uma "catástrofe estratégica" para Israel, por praticamente não considerar seus interesses.

Por Sputinik Brasil