Copom volta a defender alinhamento entre política fiscal e juros
Ata da reunião que reduziu a Selic para 14,25% ao ano aponta riscos ligados à dívida pública e ao crédito direcionado
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central voltou a destacar, na ata de sua reunião mais recente, a importância de harmonia entre as políticas fiscal e monetária. O documento foi divulgado nesta terça-feira, 23. Na quarta-feira, 17, o colegiado reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano.
Na ata, o comitê afirma que a perda de força no esforço de reformas estruturais e de disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra da economia.
“O comitê reafirma a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária”, diz o documento.
O Copom também reiterou que a política monetária provoca efeitos de curto prazo, como estímulo à demanda agregada, e impactos estruturais na economia.
No campo estrutural, o comitê destacou que a política monetária pode influenciar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida pública e resultar em prêmios maiores na curva de juros, repetindo uma mensagem já presente em sua comunicação nos últimos meses.
“Uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta”, afirma a ata do Copom.