DIPLOMACIA

Rubio apresenta proposta dos EUA sobre Irã a aliados do golfo

Viagem inclui Emirados, Kuwait e Bahrein, em meio a receios de monarquias árabes sobre mísseis, recursos e rotas de petróleo

Por Sputnik Brasil Publicado em 23/06/2026 às 10:29
Marco Rubio leva proposta dos EUA ao golfo em meio a receios sobre influência iraniana © AP Photo / Jose Luis Magana

A viagem de Marco Rubio ao golfo Pérsico ocorre em um cenário de tensão entre a proposta de acordo dos Estados Unidos com o Irã e a preocupação de monarquias árabes com possíveis concessões a Teerã.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, inicia uma rodada de reuniões no golfo para apresentar a líderes da região o acordo de paz proposto por Washington ao Irã. A iniciativa ocorre em meio ao temor de que concessões fortaleçam Teerã e modifiquem o equilíbrio regional.

Rubio visita Emirados, Kuwait e Bahrein, onde se reúne com líderes do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). Os países do bloco abrigam bases norte-americanas e foram atingidos por ataques iranianos durante a guerra iniciada há quatro meses por EUA e Israel.

Segundo a mídia britânica, o projeto de acordo preocupa as monarquias sunitas por não estabelecer limites aos mísseis balísticos iranianos, prever um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões, aproximadamente R$ 1,5 trilhão, e admitir maior influência de Teerã sobre rotas estratégicas, como o estreito de Ormuz.

De acordo com a apuração, alguns governos do golfo afirmam ter sido surpreendidos pela possibilidade de normalização entre EUA e Irã, adversário histórico da região. Para Washington, a posição desses aliados é considerada crucial, já que qualquer mudança no alinhamento de segurança afetaria a estratégia militar norte-americana no Oriente Médio.

Rubio tenta conduzir o diálogo sem criticar o memorando assinado por Donald Trump, que continua defendendo o acordo apesar de críticas internas. Ex-assessores do governo afirmaram, sob anonimato, que o secretário pode lembrar aos aliados que Donald Trump mantém uma postura dura contra Teerã caso o entendimento fracasse.

Nos bastidores, no entanto, autoridades do golfo demonstram desconforto, informou a mídia. A ausência de restrições aos mísseis iranianos contraria promessas feitas durante a guerra, quando os EUA defendiam destruir essa capacidade militar.

O fundo bilionário de reconstrução também provoca receio de que Teerã utilize os recursos para fortalecer grupos armados e ampliar sua influência regional.

Outro ponto sensível é o possível reconhecimento do papel iraniano no controle do estreito de Ormuz, rota vital para as exportações de petróleo e gás de Kuwait, Catar e Arábia Saudita.

Analistas afirmam que o acordo, da forma como está, reabilita o Irã como potência regional. Para críticos, os recursos liberados tendem a reforçar o aparato militar iraniano, e não a melhorar a economia do país.

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