DIPLOMACIA

Lavrov acusa Europa de ampliar riscos à segurança internacional

Chanceler russo também comentou a crise ucraniana, Belarus, negociações com o Irã e condições defendidas por Moscou para a Ucrânia

Por Sputnik Brasil Publicado em 23/06/2026 às 05:45
Legenda não informada no material original. © Sputnik / Aleksei Filippov

O chanceler russo Sergei Lavrov afirmou nesta terça-feira (23) que a Europa está se tornando a principal ameaça à segurança internacional e acusou a atual União Europeia de seguir valores do nazismo. As declarações foram feitas durante uma mesa-redonda sobre a crise ucraniana.

Entre os pontos citados por Lavrov, estão a intenção de Londres e Paris de formar um "Conselho de Segurança Europeu" sob sua liderança, com a participação de países da União Europeia considerados por ele russófobos e também de Kiev.

O chanceler russo também afirmou que a Europa busca obter um cessar-fogo para ganhar tempo, reforçar militarmente o governo de Kiev e implantar no país a chamada "coalizão dos dispostos".

Segundo Lavrov, qualquer possibilidade de negociações em condições de igualdade estaria sendo rejeitada pela Europa, onde haveria o desejo de uma "revanche histórica". Ele também declarou que os Países Baixos estariam preparando um cenário para a criação de campos destinados a prisioneiros de guerra russos em seu território em caso de conflito com a Rússia, o que, na avaliação dele, equivaleria a campos de concentração.

Lavrov afirmou ainda que Kiev estaria tentando envolver diretamente Belarus no conflito entre Rússia e Ucrânia, ampliando a geografia das hostilidades.

De acordo com o ministro, declarações recentes do presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, sobre a necessidade de "restabelecer a ordem" em Belarus são inaceitáveis e refletiriam tentativas de aumentar a pressão sobre Minsk.

O chanceler recordou que Rússia e Belarus mantêm o Acordo sobre as Garantias de Segurança no âmbito do Estado da União. Segundo ele, caso seja necessário, os mecanismos previstos pelo tratado poderão ser acionados para garantir a defesa dos dois países.

Lavrov também afirmou que Moscou continua firme em seus objetivos e rejeita qualquer tentativa de revisar os resultados da Segunda Guerra Mundial ou reabilitar forças que a desencadearam.

Outras declarações de Lavrov

O chanceler russo defendeu que é necessário garantir, na prática, o status neutro, não nuclear e não alinhado da Ucrânia.

Ele também afirmou que as leis discriminatórias contra a língua russa e a Igreja Ortodoxa na Ucrânia devem ser revogadas.

Lavrov disse ainda que os Estados Unidos reconheceram a necessidade de uma solução diplomática com o Irã, algo que, segundo ele, "não deve ter sido fácil de admitir".

O ministro afirmou que a Rússia está pronta para auxiliar as negociações entre Estados Unidos e Irã.

Por fim, Lavrov declarou que Moscou considera que seria um erro se os países árabes se alinhassem contra o Irã, mas disse que, até o momento, não há sinais dessa tendência.

Por Sputinik Brasil