Lavrov acusa Europa de ampliar riscos à segurança internacional
Chanceler russo também comentou a crise ucraniana, Belarus, negociações com o Irã e condições defendidas por Moscou para a Ucrânia
O chanceler russo Sergei Lavrov afirmou nesta terça-feira (23) que a Europa está se tornando a principal ameaça à segurança internacional e acusou a atual União Europeia de seguir valores do nazismo. As declarações foram feitas durante uma mesa-redonda sobre a crise ucraniana.
Entre os pontos citados por Lavrov, estão a intenção de Londres e Paris de formar um "Conselho de Segurança Europeu" sob sua liderança, com a participação de países da União Europeia considerados por ele russófobos e também de Kiev.
O chanceler russo também afirmou que a Europa busca obter um cessar-fogo para ganhar tempo, reforçar militarmente o governo de Kiev e implantar no país a chamada "coalizão dos dispostos".
Segundo Lavrov, qualquer possibilidade de negociações em condições de igualdade estaria sendo rejeitada pela Europa, onde haveria o desejo de uma "revanche histórica". Ele também declarou que os Países Baixos estariam preparando um cenário para a criação de campos destinados a prisioneiros de guerra russos em seu território em caso de conflito com a Rússia, o que, na avaliação dele, equivaleria a campos de concentração.
Lavrov afirmou ainda que Kiev estaria tentando envolver diretamente Belarus no conflito entre Rússia e Ucrânia, ampliando a geografia das hostilidades.
De acordo com o ministro, declarações recentes do presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, sobre a necessidade de "restabelecer a ordem" em Belarus são inaceitáveis e refletiriam tentativas de aumentar a pressão sobre Minsk.
O chanceler recordou que Rússia e Belarus mantêm o Acordo sobre as Garantias de Segurança no âmbito do Estado da União. Segundo ele, caso seja necessário, os mecanismos previstos pelo tratado poderão ser acionados para garantir a defesa dos dois países.
Lavrov também afirmou que Moscou continua firme em seus objetivos e rejeita qualquer tentativa de revisar os resultados da Segunda Guerra Mundial ou reabilitar forças que a desencadearam.
Outras declarações de Lavrov
O chanceler russo defendeu que é necessário garantir, na prática, o status neutro, não nuclear e não alinhado da Ucrânia.
Ele também afirmou que as leis discriminatórias contra a língua russa e a Igreja Ortodoxa na Ucrânia devem ser revogadas.
Lavrov disse ainda que os Estados Unidos reconheceram a necessidade de uma solução diplomática com o Irã, algo que, segundo ele, "não deve ter sido fácil de admitir".
O ministro afirmou que a Rússia está pronta para auxiliar as negociações entre Estados Unidos e Irã.
Por fim, Lavrov declarou que Moscou considera que seria um erro se os países árabes se alinhassem contra o Irã, mas disse que, até o momento, não há sinais dessa tendência.
Por Sputinik Brasil