BCE vê risco de inflação acima da meta até a primeira metade de 2027
Philip Lane afirmou que a incerteza segue elevada, mesmo com avanços em direção a uma trégua no Oriente Médio
O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, afirmou nesta terça-feira, 23, que a inflação na zona do euro pode continuar acima da meta oficial de 2% por um período prolongado, ainda que avance uma trégua no Oriente Médio.
No último dia 11, o BCE aumentou as taxas de juros em 25 pontos-base, no primeiro ajuste desde 2023. A decisão foi considerada preventiva, com o objetivo de evitar que a alta dos preços da energia afetasse as expectativas de inflação no longo prazo.
Em pronunciamento a parlamentares europeus em Bruxelas, Lane disse que a inflação pode permanecer bem acima da meta até a primeira metade de 2027, depois de ter ultrapassado 3% no mês passado.
“Embora o progresso recente em direção a uma resolução do conflito no Oriente Médio seja bem-vindo, a incerteza permanece elevada e há riscos contínuos de a inflação ficar acima da nossa meta de 2% no médio prazo por um período considerável”, declarou.
Lane também afirmou que a inflação elevada e os custos mais altos da energia devem pressionar a atividade econômica. Ainda assim, avaliou que o impacto tende a ser limitado, considerando a solidez do mercado de trabalho, os investimentos robustos em inteligência artificial e os gastos públicos com defesa e infraestrutura.