Países sul-americanos articulam coalizão contra facções criminosas
Segundo o diretor-geral da PF, 12 países usarão o escritório da Interpol em Buenos Aires como central de operações
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou, durante a cúpula do G7, que 12 países da América do Sul vão atuar de forma conjunta no enfrentamento ao crime organizado. A iniciativa terá o escritório da Interpol em Buenos Aires como central de operações.
A proposta busca atingir financeiramente as facções, com ações de rastreamento e recuperação de ativos ligados a atividades ilícitas.
À Sputnik Brasil, o internacionalista Guilherme Frizzera avaliou que a pressão crescente dos Estados Unidos na região, com o uso do combate ao narcotráfico como instrumento de ampliação de influência política e militar, acelerou a formação da aliança.
Segundo ele, porém, a coalizão não deve ser entendida apenas como uma resposta à Casa Branca. Frizzera afirmou que, por décadas, os países trataram as facções como problemas de segurança pública, enquanto o crime organizado passou a atuar como uma força transnacional. Para ele, esse processo levou o Estado a disputar soberania com essas organizações.
“A coalizão sul-americana, nesse sentido, pode ser lida como um gesto de autonomia”, afirmou.
A pesquisadora Lívia Milani apontou que um dos principais desafios da coalizão será a falta de alinhamento político entre os governos sul-americanos. Ela destacou que muitos países ainda seguem uma visão mais militarizada de combate ao crime, próxima à defendida por Washington.
Lívia também ressaltou que o êxito da iniciativa não deve ser medido apenas pela quantidade de prisões ou apreensões de drogas, mas pela capacidade de enfraquecer a estrutura de funcionamento das facções.
“Muito pelo contrário, muitas vezes o encarceramento em massa é um ativo para organizações, que se fortalecem nas próprias prisões”, disse.