MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Exposição ao calor extremo aumentou desde os anos 1970, aponta estudo

Pesquisa publicada na Nature Climate Change indica que 1 bilhão de pessoas a mais enfrentam temperaturas extremamente altas

Por Estadao Conteudo Publicado em 22/06/2026 às 21:02
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O calor extremo passou a atingir mais pessoas, por períodos mais longos e com maior frequência do que na década de 1970, em razão das mudanças climáticas. A conclusão é de um estudo publicado nesta segunda-feira, 22, na revista Nature Climate Change.

Segundo o levantamento conduzido por Rebecca Emerton e colegas do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), a parcela da população mundial exposta a pelo menos um dia de estresse térmico extremo por ano aumentou de 16% para 22%.

Considerando o crescimento da população global no período, o avanço representa cerca de 1 bilhão de pessoas a mais submetidas a temperaturas extremamente altas.

No estudo, o estresse térmico é definido como a quantidade de calor que afeta uma pessoa. Além da temperatura, a avaliação considera fatores como umidade, vento, radiação solar e a resposta do organismo de cada indivíduo.

Para essa classificação, o Índice Climático Térmico Universal (UTCI, na sigla em inglês) organiza dez categorias de estresse térmico, que vão do frio ao calor extremo, com base nos impactos sobre o corpo humano.

A pesquisa também mostra que, na década de 1970, 55% da população mundial enfrentava pelo menos 90 dias por ano de estresse térmico considerado "forte". Atualmente, esse percentual chegou a 70%, o equivalente a cerca de 5,8 bilhões de pessoas.

O número de dias de estresse térmico também cresceu. Em algumas regiões, foram registrados até 50 dias adicionais por ano, além de uma temporada de estresse térmico mais prolongada.

Outro dado apontado pelo estudo é que as noites mais quentes do ano estão aquecendo mais rapidamente, com alta de 0,32 °C por década, do que os dias mais quentes, que registram aumento de 0,27 °C por década na média global.

Os eventos combinados de dias e noites de estresse térmico também estão se tornando mais frequentes, severos e prolongados em todos os continentes, principalmente na Europa e na África.

De acordo com os autores, esse cenário é relevante porque períodos de estresse térmico durante o dia, com pouco alívio à noite, podem ter graves implicações para a saúde e a mortalidade. As evidências indicam que a duração da exposição ao estresse térmico é um fator importante para a saúde humana.

Conforme definição do relatório, o calor é a principal causa de mortalidade ligada às questões climáticas em escala global.

Na América do Sul, o estudo avaliou que, em boa parte do continente, incluindo o Brasil, a sensação térmica máxima nos dias mais quentes subiu de 2 °C a 4 °C desde os anos 1970. À noite, nos mesmos períodos, a mínima percebida aumentou de 1 °C a 3 °C.

O levantamento aponta ainda que o estresse térmico extremo ocorre agora 2,5 vezes mais frequentemente na América do Sul. Regiões subtropicais, como o sul e parte do Sudeste do Brasil, passaram a registrar até 50 dias a mais por ano com estresse térmico considerado pelo menos "forte".