Goolsbee afirma que inflação nos EUA segue acima da meta do Fed
Presidente do Fed de Chicago citou preocupação com a persistência dos preços e manteve defesa de voto dissidente
O presidente do Federal Reserve (Fed) de Chicago, Austan Goolsbee, afirmou nesta segunda-feira, 22, que a inflação segue como a principal preocupação da política monetária dos Estados Unidos. Ele alertou para o risco de que as pressões sobre os preços se mantenham por mais tempo do que o esperado.
Em entrevista à rádio americana Marketplace, Goolsbee destacou que a inflação permanece bem acima da meta de 2% definida pelo Fed e, segundo ele, tem caminhado na direção errada.
"Estamos lidando com um problema inflacionário que continua acima da meta e que tem piorado", disse Goolsbee. O dirigente acrescentou que não se arrepende do voto dissidente dado na última reunião de política monetária do Fed.
Goolsbee reconheceu que parte dos fatores que pressionaram os preços pode ser temporária, como os efeitos de tarifas comerciais e das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Ainda assim, demonstrou preocupação com a inflação de serviços, segmento que historicamente apresenta comportamento mais persistente.
Segundo ele, um dos principais desafios do banco central é avaliar se a inflação elevada será duradoura. Goolsbee lembrou que o Fed já subestimou, no passado recente, a permanência de choques inflacionários e ressaltou a necessidade de preservar a credibilidade da instituição.
"O fator crucial é saber o quanto devemos nos preocupar com a possibilidade de a inflação permanecer em níveis de 3% ou 4%, em vez de voltar naturalmente para a meta", afirmou.
Ao comentar a comunicação do banco central americano, Goolsbee manifestou simpatia pela decisão do presidente Kevin Warsh de se afastar da orientação futura e das especulações frequentes sobre juros. Ele descreveu a abordagem de que "menos é mais" como algo que considera, em linhas gerais, "bastante convincente".