Na CNI, presidenciáveis de direita defendem cortes de gastos e privatizações
Entidade entregou aos pré-candidatos o documento “Construindo o Brasil 2050”, com diretrizes do setor produtivo para as próximas décadas
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizou nesta segunda-feira (22), no Ulysses Centro de Convenções, em Brasília (DF), o fórum “A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis”.
No encontro, a entidade empresarial entregou aos pré-candidatos de oposição o documento “Construindo o Brasil 2050”, que reúne diretrizes e prioridades defendidas pelo setor produtivo para acelerar o crescimento econômico do país nas próximas décadas.
O presidenciável do Novo afirmou que a regulação rígida limita a liberdade de escolha da força de trabalho e defendeu que o Congresso Nacional adote modelos internacionais de flexibilização jurídica.
“Se quiser trabalhar 30 horas, 35, 40, 50, não é uma canetada aqui de Brasília que vai definir o que o brasileiro vai fazer. O que eu quero é ter uma alternativa à CLT, como já existe em vários países sérios. Trabalho por hora”, disse.
Romeu Zema promete privatização total e critica “vida dos intocáveis”
O ex-governador de Minas Gerais e presidenciável do Novo, Romeu Zema, adotou tom crítico à atual estrutura política nacional e ao governo federal. “Sempre detestei política e sempre considerei uma atividade criminosa. Um empresário na Venezuela provavelmente fugiria do país”, afirmou.
Zema concentrou seu discurso na defesa do corte de cargos públicos, da austeridade e de reformas profundas.
Ele defendeu um “choque de moral de credibilidade e ética, contra a gastança do Lula e do PT e contra a bandidagem. Nunca recebi um banqueiro bandido. Aqui em Brasília, é um acobertando o outro. Nenhum outro pré-candidato tem criticado tanto essa vida dos intocáveis quanto eu. Os juros, o pior custo, só vão cair quando acabar essa gastança”, declarou o ex-governador, sem citar o banqueiro Daniel Vorcaro.
Zema diz que fará reformas estruturais
O ex-governador afirmou que, se eleito, conduzirá reformas administrativa, previdenciária e de benefícios sociais. “Estamos criando uma geração de imprestáveis. Bandidos não serão tratados com ‘buquê de rosas’”, disse.
Zema também prometeu uma agenda ampla de concessões e desestatizações.
“Quero criar um grande cardápio de obras estruturantes. O Brasil ainda pode conceder muitas coisas nesses próximos anos. Eu vou privatizar tudo também. Não existe estatal vaca sagrada. Dá para valorizar muito as principais estatais com uma gestão boa e levá-las a mercado”, afirmou.
Ao tratar do setor financeiro, Zema mencionou esquemas de corrupção históricos envolvendo entes estatais.
“O Banco Master só teve envolvimento com bancos estatais e fundos estatais, parece que o setor privado não se envolveu, mas aquilo que é do Estado está sempre sujeito. O setor privado pode contribuir muito com o setor público no Brasil”, concluiu.
Flávio Bolsonaro defende “motosserra” regulatória
O senador e presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, apresentou propostas voltadas à segurança pública e à redução de regulamentações sobre o setor produtivo. Ele prometeu criar mais de meio milhão de vagas em presídios e dobrar para dez o número de presídios federais, afirmando que o primeiro território a ser recuperado pelo Estado serão as penitenciárias.
Na área macroeconômica, Flávio criticou o formato atual da reforma tributária.
“Devemos acelerar o equilíbrio fiscal. A reforma tributária trouxe e trará o maior IVA do mundo, uma carga tributária altíssima, em razão das concessões altíssimas e lobby. Vamos fazer um tesourão para revogar normas inúteis que só servem para prejudicar o empreendedor, no estilo motosserra. Proponho sim uma nova reforma tributária que aponte para uma redução dos juros. A austeridade fiscal reduzirá os juros”, afirmou.
O senador também defendeu o empreendedorismo em terras indígenas, que, segundo ele, são tratadas pelo governo “como animais de zoológico”, além da soberania tecnológica com a criação de um data center exclusivo com IA para dados brasileiros.
No setor energético, propôs o regime de concessão para o petróleo na Margem Equatorial no lugar da partilha. Ele também afirmou que “algumas empresas dentro da Petrobras podem ser privatizadas já no primeiro ano de um eventual governo”.
Flávio Bolsonaro disse ainda desejar uma “Suprema Corte que pode finalmente ser constitucional” e encerrou sua fala com acusações contra o presidente Lula.
“Lula vai fazer lobby, fora do Brasil, para que facções não sejam classificadas como narcoterroristas. Pessoal, nós estamos falando de mais de 50 milhões de brasileiros que moram em áreas dominadas por essas facções. Pessoas que não conseguem abrir um pequeno comércio sem pagar uma taxa no prático, não podem receber uma encomenda em casa sem pagar uma taxa para a milícia. Para vender cachorro-quente na rua, vender milho, vender pipoca, tem que pagar taxa também para esses marginais. Quando é que o Lula vai classificar PCC, CV, milícia, como organização de terroristas?”, questionou.
Ele afirmou que manterá relações comerciais com todos os parceiros mundiais, incluindo a China.
Ronaldo Caiado questiona descumprimento do Arcabouço Fiscal
O ex-governador de Goiás e presidenciável do PSD, Ronaldo Caiado, direcionou seu pronunciamento ao potencial mineral do subsolo brasileiro e à previsibilidade das regras fiscais. Ele defendeu habilidade geopolítica para projeção em tecnologia e armamentos sofisticados a partir de matérias-primas nacionais para a IA.
“Nenhum outro país compete com o nosso em riquezas naturais. Somos hoje o subsolo mais rico do mundo. Precisamos fazer pelo menos um levantamento das nossas riquezas minerais. Se nós temos a matéria-prima da IA hoje, incluindo as armas mais sofisticadas, temos que governar com habilidade de projetar. Quando o próprio governo elege um arcabouço fiscal, e descumpre o próprio arcabouço fiscal, qual é a confiança que isso transmite?”, questionou.
Caiado também fez críticas à condução das contas públicas pela atual gestão federal.
Antes de encerrar a participação, ele deixou um recado indireto sobre a postura ética de quem pretende comandar o Executivo federal: “Qualquer candidato não deve recorrer à presunção de inocência para governar o país”.