GÁS NATURAL

Petrobras aponta demanda e preço como fatores para levar gás ao mercado

Wagner Victer disse que, sem retorno financeiro adequado, produtores podem optar pela reinjeção do gás natural.

Por Estadao Conteudo Publicado em 22/06/2026 às 16:45
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O gerente executivo de Programas Estruturantes da presidência da Petrobras, Wagner Victer, afirmou nesta segunda-feira, 22, que a ampliação da oferta de gás natural no Brasil depende de demanda e de preço. Segundo ele, “não há colocação para o gás se não tiver demanda”.

Victer destacou que não basta aumentar a produção sem “reequilibrar preço”. De acordo com o executivo, quando não há remuneração adequada dos ativos, produtores tendem a reinjetar o gás em vez de disponibilizá-lo ao mercado.

O representante da Petrobras disse que a estatal tem atuado para viabilizar esse equilíbrio. Como exemplo, citou a Rota 3, gasoduto que leva o gás natural produzido nos campos do pré-sal até a Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) da empresa, no Complexo de Energias Boaventura, antigo Comperj, em Itaboraí, no Rio de Janeiro.

“Na época que eu estava desenvolvendo Búzios 12 (que vai usar a Rota 3), as pessoas queriam reinjetar o gás todo, e eu disse para o Pietro (Mendes), que era presidente do Conselho de Administração da Petrobras na época, que íamos colocar um hub de gás lá”, afirmou Victer durante evento na Fundação Getulio Vargas (FGV), em comemoração aos cinco anos da Lei do Gás.

O executivo explicou que a reinjeção não ocorre “por maldade” dos produtores. Segundo ele, as empresas podem adotar essa alternativa quando o retorno financeiro para trazer o gás natural até a costa não compensa. “Se não tiver retorno, vão reinjetar”, declarou.

Victer também apontou avanços regulatórios após a aprovação da Lei do Gás e afirmou que hoje existem instrumentos “muito mais efetivos”. “Mudamos literalmente qualquer questionamento do passado, quando só se produzia gás se reinjetasse. Com Búzios 12 (12ª plataforma do campo de Búzios, no pré-sal da bacia de Santos) e o projeto Sergipe Águas Profundas (Seap), vamos colocar mais 24 milhões de metros cúbicos de gás por dia na nossa malha”, informou.

Ele ressaltou ainda que os estados têm desempenhado papel relevante no desenvolvimento do mercado de gás natural. Victer também disse que a entrada do biometano na matriz energética brasileira deve ser acompanhada para evitar aumento de preço ao consumidor.

“O governo deve contribuir com mecanismos como subsídio, depreciação acelerada e incentivos. Se não tiver preço, não vai ter gás no mercado brasileiro”, concluiu.