AGRICULTURA FAMILIAR

Programa federal eleva renda de agricultores familiares em até 30%, aponta estudo

Levantamento divulgado pelo governo federal avaliou efeitos do PAA, que compra alimentos da agricultura familiar para doação a entidades assistenciais

Por Agência Brasil Publicado em 22/06/2026 às 14:02
Produtos da agricultura familiar são comprados pelo PAA e doados a entidades assistenciais

Uma das alegrias da agricultora piauiense Célia Maria da Silva Soares, de 66 anos, é ver os quatro netos chegarem à cozinha de sua casa e se sentarem à mesa para comer um pratão de feijão verde.

Além do tempero que ela define como “amor de vó”, as crianças apreciam o prato acompanhado da farinha de mandioca produzida pela família e do cheiro verde colhido na mesma plantação. No lugar de refrigerante, as frutas da horta viram suco.

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A roça da “vó Célia” fica no Assentamento Santana Nossa Esperança, na zona rural de Teresina (PI). Além de produzir para o consumo dos netos e dos dois filhos, Célia e o marido, Francisco, cultivam alimentos como agricultores familiares para venda ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do governo federal. “Isso melhorou muito a nossa vida”, afirmou, em entrevista por telefone à Agência Brasil.

Produção comprada é doada

Criado em 2003, o PAA prevê a compra de produtos da agricultura familiar para distribuição gratuita a pessoas em situação de vulnerabilidade em todo o país. Os alimentos são doados pelo governo a organizações das redes socioassistenciais, públicas e filantrópicas.

Além de contribuir com a alimentação das pessoas atendidas, o programa também impacta a vida dos agricultores. Segundo estudo divulgado nesta segunda-feira (22) pelo governo federal, agricultores familiares atendidos pelo PAA tiveram aumento de até 30% na renda.

A pesquisa foi desenvolvida pela Universidade Federal do ABC (UFABC) e pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Desde o início de 2023, o governo federal investiu cerca de R$ 2 bilhões no programa para adquirir 376,6 milhões de toneladas de alimentos em todo o país.

No período, aproximadamente 140 mil agricultores familiares venderam sua produção ao programa. Os recursos beneficiaram pelo menos 9 milhões de pessoas, e o PAA chegou a 9.310 entidades receptoras de alimentos.

“Tudo na cerâmica”

No caso de Célia, já são 20 anos de trabalho na roça em um terreno do Incra, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, localizado a cerca de seis quilômetros de sua casa. Desde que passou a ser beneficiada pelo programa, na última década, ela conseguiu melhorar a “casa simples”.

“Hoje é tudo na cerâmica”, disse. Para ela, este é o melhor momento desde que saiu da cidade de Piripiri para tentar a vida em Teresina, a 150 quilômetros de distância. Além de vender produtos ao governo, Célia e Francisco afirmam que “amam” viver no assentamento, onde também levam o que plantam para a quitanda da comunidade.

“Aqui a gente compartilha nossos produtos e não falta comida para ninguém”, afirmou a agricultora, que ampliou a produção de milho, abóbora, macaxeira, maxixe, manga e tamarindo. Segundo o relato, tudo é orgânico e livre de agrotóxicos, incluindo mel e beiju.

Para Célia, é uma satisfação produzir alimentos destinados a pessoas que precisam. Por isso, o casal acorda às 6h todos os dias.

Menos

De acordo com o estudo apresentado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, a implementação do PAA foi capaz de reduzir em até 57% a chance de permanência dos agricultores no Cadastro Único.

Em 2024, o programa esteve presente em 3.334 municípios, o equivalente a 60% das cidades brasileiras, em todas as regiões do país. O levantamento também mostrou que os beneficiários da modalidade “Compra com Doação Simultânea” tiveram aumento médio de R$ 50 na renda per capita, o que representa um crescimento de 30%.

O estudo inclui que 75% desses agricultores estão inscritos no Cadastro Único. Entre os beneficiados pelo PAA de venda de leite, o aumento médio foi de R$ 32 por pessoa, correspondente a uma alta de 19% na renda.

A pesquisa registrou ainda crescimento da participação de povos indígenas, de 0,7% para 6%, entre 2022 e 2024, após a ampliação da prioridade para esse público na execução do programa.