NEGOCIAÇÕES NUCLEARES

Mídia iraniana nega autorização para inspeções da AIEA após diálogo com EUA

Delegação voltou a Teerã depois de dois dias de conversas na Suíça; Tasnim afirma que o tema não consta no memorando de Islamabad

Por Estadao Conteudo Publicado em 22/06/2026 às 12:29
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A delegação de negociação do Irã retornou a Teerã após uma viagem de dois dias à Suíça para tratar do acordo de paz com os Estados Unidos, segundo a mídia persa.

Um porta-voz reiterou à Tasnim que o objetivo das conversas foi dar continuidade ao memorando de entendimento de Islamabad, principalmente em relação ao cessar-fogo em todas as frentes, incluindo o Líbano, e à liberação de ativos iranianos.

De acordo com a agência de notícias iraniana, a equipe não confirmou permissão para que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) supervisione e inspecione o programa nuclear do Irã.

A Tasnim, controlada pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), afirma que o memorando não contém cláusula sobre esse ponto e defende que Teerã “não assuma responsabilidades além do acordado”. Segundo o veículo, a presença de inspetores da AIEA dependeria de um acordo final.

“Um acordo que dificilmente será alcançado considerando a experiência da América”, critica a Tasnim, em artigo.

O veículo também afirmou: “Se a ambiguidade nuclear colapsar com a ajuda desses inspetores no Irã e os EUA obtiverem mais informações, isso só beneficiará o inimigo”.

A Tasnim acrescentou que “a AIEA não pôde prevenir o bombardeio de usinas nucleares pacíficas do Irã pelos EUA e nem mesmo condenar os ataques”. Para a agência, “a entrada de inspetores e a tentativa de completar a espionagem americana seria um ‘erro adicional’”.

As informações divulgadas pela Tasnim contradizem declarações anteriores do vice-presidente dos EUA, JD Vance, e do secretário do Tesouro, Scott Bessent.

Segundo eles, o Irã teria concordado em retomar as inspeções da AIEA em suas usinas nucleares. Esse foi um dos motivos citados para a concessão americana de autorização para vendas de petróleo pelo Irã.