Brasil deve estrear emissão de título panda no mercado chinês
Operação em yuan é prevista para esta semana e ocorre em meio ao avanço da moeda chinesa nas captações internacionais
O Brasil deve realizar nesta semana sua primeira emissão de título panda no mercado chinês, em uma operação que amplia o uso de dívida denominada em yuan no cenário de desdolarização global.
O país deve se tornar a próxima grande economia a recorrer aos chamados títulos panda, aprofundando a adoção de instrumentos financeiros denominados na moeda chinesa. A iniciativa ocorre enquanto a China busca ampliar o alcance internacional do yuan, aproveitando a diferença de juros em relação ao dólar para atrair emissores estrangeiros.
Segundo o South China Morning Post, a expectativa ganhou força após a reunião de 9 de junho, em Xangai, quando o presidente do Banco Central chinês, Pan Gongsheng, manifestou apoio à emissão brasileira no âmbito da cooperação financeira bilateral. A operação deve ocorrer nesta semana, durante a visita do ministro da Fazenda do Brasil, Dario Durigan, ao mercado interbancário de títulos de Xangai.
Se confirmada, a emissão colocará o Brasil entre os países soberanos que utilizaram esse instrumento no último ano, ao lado de Emirados Árabes Unidos, Paquistão e Cazaquistão, além de outras nações da Ásia, Europa e América do Sul. Analistas avaliam o movimento como um marco para a China e como sinal de confiança crescente em seus mercados de capitais.
O mercado de títulos panda registra forte expansão, segundo a mídia asiática. Em 2023, as emissões somaram ¥ 183,6 bilhões, aproximadamente R$ 139,28 bilhões. Nos primeiros cinco meses de 2024, o volume já acumulava ¥ 136,5 bilhões, cerca de R$ 103,54 bilhões, alta de aproximadamente 90% sobre o ano anterior.
O principal atrativo está no custo menor de financiamento em yuan, favorecido pelas taxas de juros mais baixas da China em comparação com Estados Unidos e Europa. Enquanto emissores emergentes pagam entre 5% e 6% para captar em dólares e de 3% a 5% em euros, os títulos panda recentes têm oferecido cupons entre 1,7% e 2,5%.
A diferença de rendimento entre títulos chineses e norte-americanos de dez anos está em torno de 2,66 pontos percentuais, o que reforça a atratividade do mercado chinês para emissores internacionais.
Para analistas chineses consultados pela mídia, a expansão dos títulos panda impulsiona a internacionalização do yuan em funções como liquidação, financiamento e reservas. O CICC, um dos principais bancos de investimento da China, aponta que esses títulos se tornaram ferramenta central para ampliar o uso global da moeda e fortalecer a diplomacia econômica de Pequim.
A China também tem incentivado outros países emergentes a seguir o mesmo caminho. Em junho, o presidente do Banco Central chinês discutiu com o ministro das Finanças da Indonésia um plano para emitir títulos panda. No Fórum de Lujiazui, ele prometeu desenvolver de forma constante esse mercado, consolidando-o como ponte entre capitais domésticos e investidores estrangeiros.
Por Sputnik Brasil