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Fazenda avalia como bem-sucedido primeiro ano de regulação das bets

Carlos Renato Xavier afirmou que o ambiente regulado fortalece a proteção ao consumidor e defendeu fiscalização contra operadores ilegais

Por Estadao Conteudo Publicado em 22/06/2026 às 11:40
© Foto / Washington Costa / Ministério da Fazenda

O secretário adjunto de Monitoramento e Fiscalização de Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, Carlos Renato Xavier, fez nesta segunda-feira (22) um balanço dos primeiros 12 meses da regulação das plataformas de apostas, conhecidas como bets, e afirmou que o período demonstra o sucesso pleno da medida.

“Avalio que a regulação do setor de apostas no Brasil já se mostra uma solução bem-sucedida quando comparada ao longo período em que esse mercado operou sem regras claras. A existência de um ambiente regulado, com a atuação permanente do Estado e a atenção da SPA voltada aos normativos de proteção ao consumidor, à preservação da economia popular e à saúde da indústria, reduz conflitos e evita que problemas se agravem na ausência de controle”, disse Xavier.

A declaração foi feita durante a participação do subsecretário como painelista na 4ª edição do seminário “O Futuro das Apostas no Brasil”, organizado pelo escritório Pinheiro Neto Advogados, em São Paulo.

Segundo ele, desde o início do trabalho regulatório, em 2024, a subsecretaria assumiu a responsabilidade de elaborar normas e conduzir os processos de autorização que estruturam o setor. “Foi um período de aprendizado intenso inclusive para nossa equipe, que buscou aperfeiçoamento técnico e conhecimento em diálogo com operadores, provedores e demais stakeholders do mercado”, afirmou.

Xavier acrescentou que a SPA também recorreu à experiência de jurisdições mais maduras, que atuam há mais tempo com apostas reguladas, para incorporar boas práticas e evitar erros já enfrentados em outros países.

De acordo com o subsecretário, o tempo necessário para consolidar o arcabouço regulatório trouxe custos, mas também ofereceu uma vantagem: a possibilidade de observar problemas e insucessos de experiências internacionais e, a partir disso, incorporar salvaguardas ao modelo brasileiro.

Ele citou a semana passada como exemplo da intensidade e da amplitude do trabalho. “Na terça-feira, participamos de um debate no Congresso Nacional com a presença de diversas secretarias e instituições, incluindo representantes do Ministério da Saúde, do Conar e da Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor. O encontro foi mais do que um debate: foi um espaço em que governo e sociedade expuseram suas visões sobre o mercado e as problemáticas associadas, deixando evidente que o acompanhamento não se limita à SPA”, disse.

“Há uma atuação coordenada e vigilante de diferentes órgãos, o que reforça a necessidade de monitoramento próximo para assegurar um mercado saudável, duradouro e livre de fraudes”, destacou Xavier.

Combate à ilegalidade

O subsecretário afirmou ainda que o Ministério da Fazenda avançou no enfrentamento ao mercado ilegal, apontado por ele como origem das maiores externalidades negativas.

“Na última semana, foram publicadas duas normas robustas voltadas ao combate à ilegalidade. Além disso, observamos uma mudança relevante no discurso institucional, com o alinhamento entre Presidência da República, Ministério da Fazenda e Ministério da Justiça para direcionar esforços ao foco correto: não é retroceder no processo de regulação, mas intensificar o combate aos operadores ilegais, que atuam à margem das regras e ampliam riscos ao consumidor, à economia popular e à integridade do setor”, afirmou.

Xavier disse que o governo segue convicto de que a regulação, acompanhada de fiscalização efetiva e cooperação interinstitucional, é essencial para garantir um mercado de apostas responsável, transparente e sustentável no Brasil.