Lagarde defende ação do BCE para levar inflação à meta, sem fixar rota para juros
Presidente do Banco Central Europeu citou incertezas, riscos para inflação e crescimento, e justificou alta de 25 pontos-base nas taxas
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou nesta segunda-feira, 22, que a inflação deve retornar à meta com a adoção de uma política relevante. Ela ressaltou, no entanto, que não está assumindo previamente um caminho específico para as taxas de juros.
Na declaração no Comité de Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, em Bruxelas, Lagarde disse que ainda não há provas de desancoragem ou de efeitos de segunda ordem que justifiquem uma acção mais contundente. Segundo ela, os choques de oferta estão se tornando mais frequentes, mas o banco central está preparado para enfrentar esse desafio.
O presidente do BCE destacou que o cenário segue incerto, com riscos de alta para a inflação e riscos de baixa para o crescimento econômico. “O acordo de paz no Oriente Médio é bem-vindo, mas a situação continua frágil, com riscos de retrocessos ou reescalonamento”, pontudo.
Lagarde também afirmou que a guerra ainda pesa sobre a atividade econômica e que as informações mais recentes apontam para uma desaceleração, especialmente no setor de serviços. "A fabricação, por outro lado, tem se suspensa até agora. Isso reflete em parte a formação de estoques em resposta às pressões da cadeia de suprimentos, mas também um aumento nos gastos com defesa", disse.
Ao comentar a decisão de aumentar as taxas de juros em 25 pontos-base neste mês, Lagarde afirmou que a medida deixa o BCE bem posicionado para navegar pela incerteza causada pela guerra. Ela observou, porém, que o público atualmente não espera que a alta inflação seja firmeza.
O presidente do BCE lembrou que as projeções indicam inflação próxima da meta em 2027, em 2,3%, e retorno a 2% em 2028. As expectativas também apontam crescimento real do PIB de 0,8% em 2026, 1,2% em 2027 e 1,5% em 2028, acrescentou.