NEGOCIAÇÕES NUCLEARES

EUA apontam avanço em diálogo com Irã e preveem retorno de inspeções da AIEA

JD Vance afirmou que conversas na Suíça criaram uma base para acordo, mas disse que ainda há pontos a resolver

Por Estadao Conteudo Publicado em 22/06/2026 às 10:21
Vance © AP Photo / Manuel Balce Ceneta

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou nesta segunda-feira, 22, que as negociações entre Washington e Teerã tiveram avanços durante o fim de semana, na Suíça. Ele também anunciou que o Irã aceitou voltar a receber inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Segundo Vance, a retomada das inspeções nucleares deve ocorrer ainda nesta semana, “possivelmente hoje”.

“Fizemos bom progresso nas conversas com o Irã no fim de semana”, disse o vice-presidente em entrevista coletiva.

Apesar da avaliação positiva, Vance afirmou que as tratativas ainda não foram concluídas. “Ainda há muito a ser feito”, declarou. Ele acrescentou que as partes lançaram “uma base muito boa para um acordo final bem-sucedido”.

O vice-presidente também comentou as novas ameaças feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ao Irã durante o fim de semana. No domingo, Trump anunciou que poderia atacar o país “com ainda mais força” caso os aliados iranianos no Líbano continuassem provocando instabilidade.

Questionado sobre o efeito das declarações nas negociações, Vance minimizou o impacto e afirmou que, “no fim do dia, houve progresso”.

De acordo com ele, as conversas se estenderam até 1h da madrugada, sem indicação do fuso horário. Em alguns momentos, segundo Vance, negociadores iranianos chegaram a ameaçar deixar uma mesa de negociações. Ainda assim, ele avaliou que os fotos resultaram em avanços concretos.

Sobre a segurança regional, o vice-presidente afirmou que o Estreito de Ormuz continua aberto. Disse ainda que os Estados Unidos trabalham em mecanismos para garantir a navegação na rota, por onde passa parcela relevante do comércio global de petróleo.

Vance também defendeu um cessar-fogo regional e afirmou que Washington não pretende importar um acordo aos países envolvidos. Em relação ao Líbano, disse que os EUA buscam uma coordenação adequada entre as partes.

O vice-presidente reiterou que Israel tem o direito de se defender, mas afirmou que Washington deseja que o Hezbollah interrompa os ataques. “Esta será uma conversa contínua”, declarou.