CRIME ORGANIZADO

PF prende operadores financeiros ligados ao Comando Vermelho

Investigados são apontados por movimentar e ocultar recursos usados na compra de armas e drogas

Por Agência Brasil Publicado em 22/06/2026 às 09:28
Operação da PF mira núcleo financeiro ligado ao Comando Vermelho

A Polícia Federal (PF) prendeu, neste fim de semana, vários membros do Comando Vermelho (CV) com atuação no Rio de Janeiro e em outras regiões do país.

De acordo com a PF, os investigados fazem parte do núcleo responsável pela entrega, ocultação e dissimulação de recursos ilícitos usados ​​para financiar a compra de armas de fogo de uso restrito e de drogas no exterior, destinadas ao abastecimento da facção no Rio e em outros estados.

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Dois dos investigados, sendo um deles uma mulher, foram localizados no Suriname durante ação de cooperação internacional. Eles foram detidos pelas autoridades locais e, depois, deportados para o Brasil, onde acabaram presos em Belém, no Pará.

Segundo a investigação, o homem movimentou mais de R$ 150 milhões durante o período investigado. Ele atuava na região de fronteira, e os valores eram destinados à compra de armamentos e drogas.

A mulher é apontada como operadora logística e financeira, com histórico de deslocamentos ao Suriname em períodos compatíveis com movimentações suspeitas de dinheiro ilícito.

Outras prisões

Outros dois investigados foram presos em território nacional. Um deles foi localizado no Rio de Janeiro e, conforme a PF, atuava como operador financeiro da facção, suspeito de utilizar contas pessoais e corporativas para pulverizar recursos ilícitos e viabilizar pagamentos a fornecedores.

O outro foi preso em Tabatinga, no Amazonas, região de tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Ele é apontado como responsável pela empresa utilizada no fluxo financeiro da organização na região amazônica, especialmente em pagamentos ligados à logística transnacional de drogas e armas.

Raposa Vermelha

A fase ostensiva da Operação Red Fox foi realizada em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Federal (Gaeco/MPF).

Ao todo, os policiais federais cumpriram quatro mandatos de prisão preventiva contra investigados apontados como operadores relevantes da especialização financeira da organização.

“A investigação coordena que a organização criminosa se valia de empresas de fachada, interpostas pessoas, depósitos fracionados, transferências via PIX, contas de passagem e movimentações incompatíveis com a capacidade econômica dos envolvidos para ocultar a origem ilícita dos valores e garantir o pagamento de fornecedores nacionais e estrangeiros”, afirmou a PF.

A Justiça também autorizou o bloqueio, sequestro e indisponibilidade de bens, direitos e valores até o limite de quase R$ 500 milhões. A medida, segundo a PF, tem como objetivo atingir a capacidade económica da organização criminosa, impedir a dissipação patrimonial e a interrupção do financiamento das atividades ilícitas.

As ações judiciais foram autorizadas pela 5ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro.